ANÁLISE DO PROCESSO DE CONCESSÃO DE CRÉDITO UM ESTUDO DE CASO DA ALFENAS COMÉRCIO DE INSUMOS AGRICOLAS

GABRIELA FREIRE PEREIRA
UNIVERSIDADE JOSÉ DO ROSÁRIO VELANO-UNIFENAS

1 INTRODUÇÃO

O crédito proporciona às empresas maior ampliação de atividade e, consequentemente, geração de emprego e renda. O crédito é usado pelo comércio e indústria como um organismo de política financeira na venda a prazo de seus produtos e serviços.  O processo de concessão de crédito também inclui riscos, daí o receio constante com os critérios para avaliar as condições econômico-financeira das organizações e pessoas que procuram recursos.
Segundo Santos (2003) apud (PINTO; MARTINS, 2011) , define-se crédito em finanças como a modalidade de financiamento destinada a possibilitar a realização de transações comerciais entre empresas e seus clientes. A oferta de crédito por parte de empresas deve ser vista como um importante recurso estratégico para alcançar a meta principal da administração financeira, ou seja, a de atender as necessidades de todos os supridores de capital e agregar valor ao patrimônio dos acionistas.
Na comercialização de insumos agrícolas o crédito é considerado como um fator essencial para a sobrevivência das organizações, nesse mercado onde são negociados altos volumes e valores, levando em consideração o prazo diferenciado de safra que pode chegar a 550 dias. Uma análise de crédito criteriosa dos clientes enquanto pessoas físicas ou jurídica é fundamental e necessária antes liberar a venda.
Os distintos tipos de créditos empregadas pelas empresas atualmente procuram atender as necessidades dos clientes e das organizações. Sá (2004) apud (PINTO; MARTINS, 2011),  comenta que algumas empresas acreditam que o departamento de Crédito e Cobrança deve atuar apenas como de uma mera cobrança. Não se dá conta de que neste setor as funções se inserem num contexto muito mais amplo.
Devido à crise de 2008 com a nova situação econômica, a análise de crédito e suas as políticas de financiamentos passam a integrar as estratégias e processos das empresas, garantindo a saúde financeira das empresas através de sua liquidez, isso proporciona oportunidades para profissionais especializados e competentes.

Palavras-Chave: Analise, crédito,  agronegócio.

2 OBJETIVOS

2.1 Objetivo Geral

O presente trabalho tem como objetivo geral realizar um estudo dos processos de análise e concessão de crédito utilizado pela empresa Alfenas Comércio de Insumos Agrícolas, na área de vendas de insumos agrícolas.

2.2 Objetivos Específicos

•          Identificar os processos de análise de crédito da empresa Alfenas Comércio de Insumos Agrícolas.
•          Analisar os procedimentos adotados pela empresa para análise e concessão de crédito aos seus clientes;
•          Analisar e sugerir melhorias nos métodos análise e concessão de crédito da empresa Alfenas Comércio de Insumos Agrícolas.
•     Demonstrar como a análise de crédito influencia liquidez da empresa Alfenas Comércio de Insumos Agrícolas.

3 METODOLOGIA

A metodologia utilizada foi constituída de pesquisa secundária em sites especializados, revistas, artigos e livros. Consistirá na realização de um estudo de caso com objetivo de realizar um estudo descritivo e explicativo dos processos de análise e concessão de crédito utilizados pela empresa Alfenas Comércio de Insumos Agrícolas. Foi realizada pesquisa descritiva visando descrever as características de determinada população ou fenômeno ou o estabelecimento de relações entre variáveis (GIL, 2002).
Inicialmente foi realizada uma ampla pesquisa bibliográfica, de modo a conhecer os aspectos que norteiam e caracterizam o processo de análise e concessão de crédito.  Foi utilizada a pesquisa explicativa que visa identificar os fatores que determinam ou contribuem para a ocorrência dos fenômenos, aprofunda o conhecimento da realidade porque explica a razão, o “porquê” das coisas (GIL, 2002).
A observação foi a participante que constitui na participação real do pesquisador com a comunidade ou grupo. Ele se incorpora ao grupo, confunde-se com ele. Fica tão próximo quanto um membro do grupo que esta estudando e participa das atividades normais deste, a forma de observação participante e a natural onde o observador pertence à mesma comunidade ou grupo que investiga (LAKATOS & MARCONI, 1995).

3.1  Pesquisa Documental

Através das informações fornecidas pela empresa Alfenas Comércio de Insumos Agrícolas, mostrando o modo operante na concessão de créditos aos seus clientes.
A análise documental constitui uma técnica importante na pesquisa qualitativa, seja complementando informações obtidas por outras técnicas, seja desvelando aspectos novos de um tema ou problema (Ludke e André, 1986).
Segundo Kelly apud Gauthier (1984: 296), trata-se de um método de coleta de dados que elimina, ao menos em parte, a eventualidade de qualquer influência – presença ou intervenção do pesquisador – do conjunto das interações, acontecimentos ou comportamentos pesquisados, anulando a possibilidade de reação do sujeito à operação de medida.

4 REFERENCIAL TEÓRICO

4.1 Conceito de Crédito

Crédito é um termo que traduz confiança, deriva-se do latim credare que significa crer, acreditar, confiar. Atualmente o crédito se é concedido somente diante de pesquisa sobre outras transações, bens pessoais e/ou organizacionais, assim podendo ter mais segurança de que a pessoa credora esteja apta a quitar a divida futuramente. Também leva-se em conta a idoneidade do indivíduo. Selau (2008) define crédito como o ato de vontade ou disposição de alguém de ceder, temporariamente, parte do seu patrimônio a um terceiro, com a expectativa de que esta parcela volte a sua posse integralmente depois de decorrido o prazo previamente estipulado.
Em finanças define-se crédito como sendo um instrumento de política de vendas a ser utilizado por uma empresa, na venda de seus produtos (físicos ou monetários).
Segundo Sodero Filho (1990), crédito é confiança. Confiança em uma pessoa que se dispõe na data de hoje a honrar uma obrigação futura. Portanto, obrigações de cunho pecuniário, por meio do crédito, impulsionam as atividades econômicas principalmente pelo fato de uma empresa satisfazer na data de hoje uma necessidade, pagando seu preço no futuro.
Segundo Schrickel[1994], crédito é todo ato de vontade ou disposição de alguém de destacar ou ceder, temporariamente, parte de seu patrimônio a um terceiro, com a expectativa de que esta parcela volte a sua posse integralmente, após decorrido o tempo estipulado. Esta parte do patrimônio pode ser materializada por dinheiro (empréstimo monetário) ou bens (empréstimo para uso, ou venda com pagamento parcelado, ou a prazo).

4.2 Análise do Crédito

Pode-se dizer que a análise de crédito é a parte mais importante do processo para que se possa conceder um crédito a uma pessoa jurídica ou física. De acordo com as definições da empresa que concede o crédito.
A análise de crédito envolve a habilidade de fazer uma decisão de crédito, dentro de um cenário de incertezas e constantes mutações e informações incompletas. Esta habilidade depende da capacidade de analisar logicamente situações, não raro, complexas, e chegar a uma conclusão clara, prática e factível de ser implementada (SCHRICKEL, 1994).
Se faz a análise de crédito para que o credor corra menos riscos, porém é preciso ser cauteloso
Segundo Silva (2006), em qualquer situação de concessão de crédito há basicamente três etapas distintas a percorrer:

  • Analise retrospectiva: a avaliação do desempenho histórico do potencial tomador, identificando os maiores fatores de risco inerentes a sua atividade e quão satisfatoriamente estes riscos foram atenuados e/ou contornados no passado. Ao conceder um crédito a empresa troca um valor presente por uma promessa futura de reembolso, ficando assim suscetível ao fator de risco. Para isso o credor (aquele que concede o crédito) necessita promover uma análise criteriosa da capacidade financeira de cada cliente.
  • Análise de tendências: a efetivação de uma razoável e segura projeção da condição financeira futura do tomador, associada à ponderação acerca de sua capacidade de suportar certo nível de endividamento oneroso, incluído o financiamento em análise. Ao conceder o crédito deve-se analisar como ocorrerá o reembolso do mesmo, baseando-se na compatibilidade das fontes primárias de receita do cliente com o plano de amortização proposto. Visto como, a qualquer momento acontecimentos imprevistos e adversos, a exemplo de  recessão econômica, podem vir a afetar as fontes primárias de pagamento das empresas e pessoas físicas, resultando na falta de recebimento do crédito.
  • Capacidade creditícia: decorrente das duas etapas anteriores, tendo sido avaliado o grau de risco que o tomador potencial apresenta, bem como grau de risco futuro, deve-se chegar à conclusão relativa à sua capacidade creditícia.

4.3 Riscos na Concessão de Crédito

Ao conceder um credito as empresas se sujeitam aos riscos desta transação, por esta razão utilizam de ferramentas para a análise de credito onde poderão diminuir a probabilidade de inadimplência. Entretanto não há possibilidade de se eliminar os riscos, e sim administra-los para que não ocorra. Seguindo assim as normas legais para efetuar a concessão de credito sem sofrer grandes danos financeiros para a organização.
Segundo Bessis (1998, p.81), o risco de crédito pode ser definido pelas perdas geradas por um evento de default do tomador ou pela deterioração da sua qualidade de crédito. Há diversas situações que podem caracterizar um evento de default de um tomador. O autor cita como exemplo o atraso no pagamento de uma obrigação, o descumprimento de uma cláusula contratual restritiva (covenant), o início de um procedimento legal como a concordata e a falência ou, ainda, a inadimplência de natureza econômica, que ocorre quando o valor econômico dos ativos da empresa se reduz a um nível inferior ao das suas dívidas, indicando que os fluxos de caixa esperados não são sufi cientes para liquidar as obrigações assumidas.
O risco é formado pela ocorrência de algum acontecimento antagônico para uma condição almejada. Em específico, o risco de crédito pode ser conceituado como a possibilidade de acontecimento de prejuízo por inadimplência com relação a circunstâncias esperadas, no caso o retorno absoluto dos créditos por parte do conjunto dos devedores (BORGES; BERGAMINI, 2001).
Para amenizar os riscos é preciso fazer uma analise do cliente, com a finalidade de conhecê-lo, identificando os riscos envolvidos, onde se delimita o valor do crédito a ser concedido.
Quando uma empresa concede crédito é preciso ter uma margem de perdas, pois a inadimplência acontece, podendo assim prejudicar as finanças da empresa. Para reduzir o número de inadimplentes a análise de concessão de crédito precisa ser meticulosa e concreta, onde exista um profissional qualificado para tal serviço. A empresa também precisa ter normas rígidas de contrato e pesquisa de seu cliente, para que não exista brechas ou descordos.
Segundo Silva (2000) “Risco de crédito é a probabilidade de que o recebimento não ocorra”.
No mercado possuem empresas que se especializam em fornecer informações sobre o comportamento de pessoas ou empresas no sentindo ao bom comportamento com o pagamento das dívidas ou empréstimo obtidos. Referidas empresas firmam convênios com cartórios e outros empresas para a troca de informações. Como exemplo tem-se os bancos de dados SPC - Serviço de Proteção ao Crédito, SERASA e Check-Check.
Conforme Silva (2000): “A análise financeira meticulosa é seguramente, um fator relevante para a decisão do crédito”. Com relação às condições verifica-se também a capacidade do cliente em oferecer garantias adicionais. A garantia funciona como um item adicional que tem o objetivo de servir de segurança ao retorno do crédito e poderá ser utilizada numa eventual situação de inadimplência.
O risco da operação envolve as características básicas de cada operação tais como: valor, prazo, formas de pagamento, constituição das garantias, modalidade do crédito, etc. Essa concentração de recursos, em um só cliente, representa elevação de risco de retorno dos capitais emprestados. Há necessidade de uma diversificação das operações e existência de uma base de dados bem consistente, além de uma equipe de profissionais capaz de analisar, avaliar, decidir e acompanhar os créditos concedidos.

4.4 Agronegócio no Brasil

O agronegócio é o conjunto de negócios que se relaciona com a agricultura. O Brasil é um grande produtor de produtos alimentícios onde exporta para diversos países como a China, Estados Unidos, Moscou, Peru entre outros países, pois possui grande diversidade de produtos agropecuários em geral.
De acordo com matéria realizada pelo Ministério da Agricultura por Priscilla Oliveira, “As exportações do agronegócio brasileiro nos últimos 12 meses (setembro/2010 a agosto/2011) alcançaram mais um recorde de valor, atingindo a cifra de US$ 88,3 bilhões. O resultado significou crescimento de 24,8% em relação ao mesmo período do ano anterior. Segundo o secretário de Relações Internacionais do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Célio Porto, os recordes de exportação devem ser mantidos até o fim do ano. O resultado positivo levou ao aumento do superávit comercial que chegou a US$ 71,9 bilhões no acumulado dos últimos 12 meses.”
Cada vez mais o Brasil ganha destaque principalmente no setor de agronegócio, assim fazendo com que a economia cresça e se desenvolva rapidamente. Muitos produtores rurais que antes não tinha muito valor e produzia somente para sua região, hoje exportão para países que nem mesmo conhecem. O reconhecimento desta área de atuação se da pela necessidade mundial de alimentos. De acordo com o Ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Wagner Rossi o setor agrícola do Brasil pode contribuir com o desafio mundial da fome, assim fornecendo alimentos suficientes para ajudar a suprir esta necessidade, também podendo se tornar um dos maiores exportadores do agronegócio.
Segundo Vieira (2000), nos dias de hoje, o agronegócio tornou-se uma opção de desenvolvimento econômico para o agricultor.
Davis e Goldberg (1957) definem o agronegócio como sendo 'a soma total das operações de produção e distribuição de suprimentos agrícolas; das operações de produção na fazenda; do armazenamento, processamento e distribuição dos produtos agrícolas e itens produzidos a partir deles'.
Este conceito procura abranger todos os vínculos intersetoriais do setor agrícola, deslocando o centro de análise de dentro para fora da fazenda, substituindo a análise parcial dos estudos sobre economia agrícola pela análise sistêmica da agricultura. Já para Callado (2006), o agronegócio é um conjunto de empresas que produzem insumos agrícolas, as propriedades rurais, as empresas de processamento e toda a distribuição. No Brasil o termo é usado quando se refere a um tipo especial de produção agrícola, caracterizada pela agricultura em grande escala, baseada no plantio ou na criação de rebanhos e em grandes extensões de terra.                       Há diferentes agentes no processo produtivo, inclusive o agricultor, em uma permanente negociação de quantidades e preços. (CONTINI, 2001). Segundo este mesmo autor, o agronegócio brasileiro compreende atividades econômicas ligadas, basicamente, a:
• Insumos para a agricultura, como fertilizantes, defensivos, corretivos.
• A produção agrícola, compreendendo lavouras, pecuária, florestas e extrativismo.
• A agroindustrialização dos produtos primários.
• Transporte e comercialização de produtos primários e processados.                              Nos últimos anos o agronegócio brasileiro se desenvolveu numa velocidade muito alta, em virtude da moderna tecnologia voltada para o setor. Esta atividade tomou dimensão tão grande que tem caminhado para se tornar à principal atividade econômica do país. Com esse desenvolvimento, o setor contribui para baixar a taxa de desemprego e em conseqüência, melhorar as condições de vida da população, conciliando o desenvolvimento econômico com o social. (SILVA, 2006). O agronegócio contempla a visão sistêmica das cadeias produtivas agroindustriais, envolvendo todos os segmentos abrangidos nos setores, tais como (EDITORIAL, 2004):
• Insumos materiais: sementes, mudas, fertilizantes, corretivos, agrotóxicos, máquinas e equipamentos dentre outros;
• Setor da produção rural propriamente dito;
• Setor de transformação (industrialização),
• Setor de distribuição e comercialização,
• Ambientes institucional (aparato legal) e organizacional (pesquisa, extensão e ensino, entidades de classe, cooperativas, agentes financeiros) que dão suporte aos ambientes produtivo e de negócios.      O Brasil se credencia a ser o grande celeiro do mundo. E por isso, identificar interpretar e analisar gargalos e oportunidades do agronegócio são de suma importância para o crescimento e destaque do setor noBrasil. (BATALHA, 2001).

5 RESULTADOS

A empresa Alfenas Comércio de Insumos Agrícolas,  localiza-se na Avenida Alberto Vieira Romão, 0 - Distrito Industrial, Alfenas - Minas Gerais CEP: 37130-000, é uma empresa voltada para o mercado de fertilizantes, fabricando e comercializando produtos, especialmente abastecendo a agricultura.
O Secad – Setor de Cadastro e Crédito tem por finalidade catalogar todos os dados a respeito do cliente, servindo de subsidio para o formação de Banco de Dados da Empresa e concessão de crédito em vendas a prazo. No entanto numa visão mais estratégica o Setor de Cadastro tem por objetivo apresentar fichas fidedignas, possuindo a maior solidez possível em seu conteúdo, constituindo-se assim, na principal ferramenta da empresa na prevenção e combate a inadimplência.
A empresa possui uma legislação rigorosa para o processo de análise cadastral, esse processo está todo documentado no Manual de Procedimentos e Operações. Todos os clientes proponentes de compras a prazo serão obrigatoriamente cadastros e o atendimento do pedido somente poderá ocorrer se o cadastro estiver previamente aprovado e com limite de Crédito.

5.1 SEGMENTAÇÃO

Segmento 1 – Produtores Rurais – PF – clientes produtores rurais, caracterizados como  Pessoas Físicas perante o fisco.
Exigências legais:
• Possuir registro no Cadastro de Pessoas Físicas – CPF/MF
• Inscrição de Produtor Rural;

Segmento 2 – Empresa Agrícola – PJ – Produtores rurais com personalidade jurídica. As mais comuns são as empresas agrícolas e agroindustriais (Firmas Individuais, Sociedades Anônimas, Sociedades por Cotas de Responsabilidade Limitada, etc.)     Exigências Legais imprescindíveis:
• Inscrição no CNPJ;
• Inscrição Estadual;
• Inscrição Municipal;
• Registro de Produtor Rural;
• Constar como objetivo social, no Estatuto, contrato social ou declaração de firma individual a exploração das atividades agropecuárias.

Segmento 3 – Empresas Revendedoras – PJ – Empresas comerciais e com personalidade  jurídica. As mais comuns são as Firmas Individuais, Sociedades por Cotas de Responsabilidade Limitada e  Sociedades Anônimas, dentre outras.
Exigências legais imprescindíveis:
• Inscrição no CNPJ
• Inscrição Estadual;
• Inscrição Municipal;
• Alvará de Funcionamento;
• Constar como objetivo social, no Estatuto, Contrato Social ou declaração de firma individual, a comercialização de insumos agrícolas.

Segmento 4 – Cooperativas de Produtores Rurais – PJ – Entidade composta da associação de produtores rurais, com personalidade jurídica própria.
Exigências legais imprescindíveis:
• Registro no CNPJ;
• Inscrição Estadual;
• Inscrição Municipal;
• Alvará de Funcionamento;
• Autorização de Funcionamento concedido pela OCEMG;Constar no Estatuto, como objetivo social, a finalidade de prestar assistência aos produtores rurais nos moldes previstos em lei, no que toca ao processo de produção.

5.2 CONFECÇÃO

O processo começa com a coleta de dados e documentos junto ao cliente, estes virão dispostos em formulário que deverá ser preenchido com dados fidedignos sendo de responsabilidade da equipe de vendas a coleta e encaminhamento para o setor de Cadastro e Crédito,os mesmos também deverão preencher o  formulário “Parecer do Responsável Técnico de Vendas”.Neste formulário estará sua opinião pessoal e impressões gerais sobre o cliente , em posse dos documentos e formulários devidamente preenchidos inicia a  confecção e análise da Ficha Cadastral.Na confecção o analista terá o prazo de até três dias úteis para a conclusão da análise,  ao receber os papeis deverá se fazer uma conferência checando se os mesmo estão completos e se reúnem todas as informações e documentos pertinentes, em caso estejam incompletos solicitar a RTV a complementação.Iniciada a confecção as informações sobre o prepotente serão consultadas nos bancos de dados, Serasa, Check Check , três fontes comerciais do setor agroindustrial, onde serão buscadas informações sobre histórico de compras e pontualidade e no mínimo uma referência bancária.
Os resultados das pesquisas irão para um dossiê chamado  de “Análise de Risco e Limite de Crédito”  assim como as informações internas caso já tenha comprado na empresa, especialmente quanto a pontualidade.Nesse dossiê será atribuído classificação de risco ao cliente conforme esse quesitos:

5.3 Análise de Risco

• “A“ = Risco mínimo: Cliente sem qualquer restrição e com informações internas e externas plenamente favoráveis;
• “B” = Risco Aceitável: Cliente sem restrição, porém com pequenos ou esporádicos atrasos no pagamento dos compromissos;
• “C” = Risco Médio: Cliente sem restrição ou que já teve restrições, porém encontram-se superadas, e que apresentem atrasos eventuais;
• “D” = Risco Considerável: Cliente sem restrição, porém já teve ocorrências negativas e que seja contumaz em pagamento com atrasos;
• “E“ = Risco Alto: Cliente com Restrições ou contumaz em pagamentos             com atrasos

Via de regra só será estabelecido Limite de Crédito – LC – para cliente Risco “A”, “B” ou “C”, Para o cliente com Risco “D” e “E” não se concederá LC, salvo autorização da Diretoria, devendo, portanto, as vendas serem realizadas somente à vista, tom.A definição do Risco do cliente será o resultado das informações e análise apuradas, a partir dos conceitos básicos.

Somam pontos para concessão de Crédito:
• Sem nenhum restrição no banco de dados SERASA e Check Check.
• Possui conta bancária há mais de cinco anos e não possuir restrição no mesmo;
• Trabalho estável no mesmo local, dois anos ou mais.
• Crédito aprovado em outras empresas.
• Imovel próprio e quitado.
• Residente na mesma cidade ou imovel há cinco anos ou mais .
• Possuir outros imóveis e bens além da propriedade rural.

Diminuem pontos para concessão do crédito:
• Várias passagens recentes por diversas atividades, sem continuidade.
• Trabalho instável.
• Pouca permanência com as mesmas propriedades ou atividades.
• Instabilidade com negócios e propriedades rurais,
• Não possuir moradia fixa;
• Não comprovar experencia de crédito aprovado em outras empresas.
• Sem justificativa compras além das necessidades da propriedade rural.
• Estar iniciando no ramo agronegocio.
• Comprar em nome de terceiros.

5.3.1 Pilares dos Quatro “C”

Essa classificação de risco será baseada nos pilares dos quatro “C”, caráter, capacidade, capital e condições.
Caráter é a firmeza de vontade e determinação em honrar os compromissos sua disposição em pagar. Está ligada diretamente a honestidade e considera o empenho  para cumprir uma obrigação. É constar se o credor fará todos os esforços para saldar a dívida, mesmo em situações adversas.
Independente do segmento dos clientes devem ser observados, entre outros, os seguintes aspectos:
• Idoneidade e honestidade, quando pessoas jurídicas informar sobre os dirigentes principais;
• Possui crédito na praça;
• Prestigio no setor agroindustrial;
• Pontualidade;
• Observações positivas ou negativas;

Capacidade é o desempenho e competência profissional do cliente, bem como seu potencial de gerir e otimizar a produção e/ou comercialização de seus produtos e o poder de gerar receitas para quitar seus compromissos. Mesmo no setor agrícola as atividades não podem ser administradas de forma amadora e sem planejamento, tal exigência aumenta à medida que se eleva o volume e porte das atividades.
Fatores a observar quanto à capacidade:

• Formação acadêmica e profissional;
• Experiência no setor;
• Aptidão administrativa e gerencial;
• Tradição;
• Rendimentos alcançados, inclusive em outras atividades;
• Tecnologia empregada;

Capital, refere-se às fontes e usos dos recursos, de onde vem as receitas e como e de forma ela é usada, buscar revelar a situação financeira e econômica do cliente. Seu patrimônio deve ser compatível com se grau de endividamento. Tratando de pessoa jurídica a análise será complementada por diversos outros indicadores como dados de balanço do ultimo exercício e  relação de vendas dos últimos doze meses. Aspectos a observar quanto ao capital:
• Receitas: rendimento da atividade rural e se possíveis outras fontes de rendas;
• Composição dos gastos e comprometimento das rendas;
• Valor dos bens móveis e imóveis e se estão quitados;
• Qualidade e conservação dos bens;
• Endividamento total: dividas compatíveis com o patrimônio;

Condições, toda atividade recebe influência do ambiente externo, cujos fatores podem ser decisivos para o sucesso ou não: É necessário analisar os impactos que as variáveis, como por exemplo: econômicos, legais, financeiros, sociais, dentre outros, podem exercer.

• Situação geoeconômica do setor e da cultura explorada;
• Sazonalidade dos produtos e época de obtenção de receitas;
• Custos de produção;
• Produtividade e qualidade dos produtos e meios de beneficiamento;
• Infraestrutura das propriedades e assistência técnica.;
• Vias de comercialização do produto;
• Mão de obra disponível;
• Localização e vias de distribuição da produção;

5.4      Atribuição de Limite

Com base na ficha cadastral e levando os aspectos mencionados como caráter, capacidade, capital e condições, referências comerciais  e outros já mencionados, define-se os valores máximos de crédito a ser atribuído ao cliente, baseados em parâmetros conforme o segmento de cliente

5.4.1   Cálculos para atribuição de Limite de Crédito:

Para clientes do segmento 1 e 2, produtores rurais e empresas agrícolas, existem dois parâmetros para atribuir o limite, com base no patrimônio do cliente: valor das terras em reais menos dividas com terceiros apura-se valor liquido, desse valor o correspondente a dois por cento ,ou outro parâmetro é baseado produtividade, previsão de safra: quantidade de sacas a serem colhidas x valor da saca em reais, esse valor é definido periodicamente pela diretoria, desse total o valor de dez por cento será o limite de crédito. Entre esses dois parâmetros usa-se o de com resultado de menor valor.
Segmento 2, empresas revendedoras e destruidoras, o limite será de cinco por centro sobre o total de vendas realizadas no ultimo exercício ou doze meses.
Segmento 3, cooperativas, calcula-se dois por cento sobre as vendas realizadas no ultimo exercício, e com condição obrigatória da cooperativa ter apresentado mínimo meio por cento de Lucro Liquido no exercício anterior, calculado sobre as vendas.   
Efetuado o cálculo com base nos parâmetros, o limite de crédito será atribuído de conformidade com a classificação de Risco do cliente, a seguir definida:
• Risco A - Cem por cento do limite calculado;
• Risco B - Setenta e cinco do limite calculado;
• Risco C - Cinquenta do limite calculado;
• Risco D e E: não será atribuído Limite de Crédito, salvo autorização expressa da Diretoria ou da Gerência Financeira, devendo as vendas ser realizadas à vista, tomadas as cautelas devidas quanto ao recebimento de cheques.
Com o dossiê concluído, analise de risco e limite de crédito sugerido  pelo analista de crédito segue então para a Gerência Financeira conceder o despacho final, deferindo ou indeferido o limite calculado pelo analista baseados nos critérios e regras já mencionados. Uma vez despachada e assinada à ficha cadastral, essa será valida durante um ano, entretanto poderá ser revisada conforme necessidade ou alteração relevante.
Nada obstante da validade de um ano, todas as vezes que novas compras forem realizadas deverão ser feitas novas consultas nos bancos de dados Serasa e Check Check e emitido um relatório com saldo devedor do cliente junto a empresa, caso haja contas a serem pagas esse valor será deduzido do limite total disponível para o cliente, e assim quando o prepotente quitar o debito será novamente liberado o valor.

5.2 INFLUÊNCIAS NA LIQUIDEZ

A tomada de decisão de uma empresa, baseada no fluxo de caixa que por trazer informações dos recebíveis fornece dados para diversas transações, essa análise considera a probabilidade de recebimento de todas as vendas e nesta momento onde se analisa a liquidez dos títulos em questão , a analise de crédito torna-se uma ferramenta indispensável pois proporciona fundamentos precisos para a tomada de decisão.Clientes considerados riscos B, C e D já não ser considerados recebimentos no seu total e prazo.
Uma análise de crédito detalhada, coesa e eximia fornece a empresa uma segurança com relação a sua liquidez.
Observa-se que na empresa estudada Alfenas Comércio de Insumos Agrícolas, dez por cento da inadimplência geral são vendas realizadas com dispensa do cadastro, por se tratar de clientes que possuíam relações pessoais com membros da empresa .Outros trinta por cento são de vendas no período em que empresa não possuía uma política e legislação definidas para concessão de crédito, a partir da momento em que essas políticas foram implantadas baixou forma significativa.

7 DISCUSSÃO

È imprescindível a análise de crédito a Alfenas Comércio de Insumos Agrícolas, pois somente ela é capaz de oferecer a segurança necessária para que se faça um planejamento financeiro e também fornece a segurança necessária para a tomada de decisões. A periodicidade de um ano é essencial considerando significativa ascensão do mercado do Agronegócio ainda assim existe uma grande instabilidade especialmente no ramo do café,foco da empresa.Em um ano o cliente  pode apresentar uma  situação financeira distinta do ano anterior.
A forma como é realizado a análise também é de suma importância, é preciso de profissionais treinamentos e capacitados, e com habilidades como, poder de observação, com informações resumidas extrair o todos os detalhes, habilidade de comunicação, necessário para conversar com diversas pessoas inclusas no processo, RTV, clientes, empresas que fornecem as referências comerciais, bancos e gerência financeira entre outros. Diplomacia é a habilidade necessária ao analista na solução dos problemas, imprevistos, tais como: reclamações, indeferimento de propostas de aprovação de cadastro e crédito, dentre outros. Habilidade para avaliar riscos: em qualquer atividade financeira haverá um risco, cabe ao analista avaliar e estabelecer se compensa, se este é aceitável ou não, considerando suas possíveis  conseqüências. E conhecimentos sobre economia, o analista deve estar atento as oscilações do mercado, bem como acontecimentos internacionais e locais que possam influencia a economia. Compreensão dos aspectos jurídicos básicos , como Código de Defesa do Consumidor além dos aspetos jurídicos que envolvem uma transação de venda a prazo.Conhecimento de mercado, manter a network atualizada, relacionar e conhecer com cooperativas, produtores rurais, órgãos oficiais das comunidades ligados às atividades rurícolas como exemplo a emater.Qualquer falha do analista na coleta de informações , interpretação, confecção do dossiê poderá causar uma análise não bem fundamentada que ocorra prejuízos a empresa, por isso a necessitada de profissionais  bem preparados.

8 CONCLUSÃO

Neste artigo foi feito um estudo bibliográfico dos processos de análise e concessão de crédito para o agronegócio. O agronegócio tem grande importância para economia brasileira, registrando enormes avanços quantitativos e qualitativos, e se sustenta como setor de ampla capacidade de geração de emprego e renda
A análise de crédito visa dar garantia para a empresa que o está cedendo, pois, por meio de ferramentas e estudos sobre os clientes que procuram por crédito, pode-se avaliar o potencial e capacidade de pagamento do valor almejado. A análise de crédito tem como principal finalidade a identificação de fatores que apresentem as melhores probabilidades de retorno do crédito concedido, identificando-se os riscos envolvidos na concessão do crédito auxiliando a tomada de decisão, na perspectiva de obter o melhor resultado para a organização.
Na Alfenas Comércio de Insumos Agrícolas, nota-se que existe uma estrutura extremamente eficiente de todo processo de análise de crédito, que provêem excelentes resultados, como prova disso observa o declínio no índice de inadimplência geral durante os últimos anos,na medida que cada vez mais todos os envolvidos no processo estão consciente da importância da mesma para o resultado da empresa.
Algumas adequações poderiam tornar o processo menos moroso e mais ágil, como a coleta dos dados hoje feita a campo pelos RTV`S, hoje com a tecnologia que alguns clientes ou até mesmo os escritório contábil do cliente  possuem de acesso a internet, os formulários cadastrais poderiam ser preenchidos online pelo site da empresa e envio documentos completares, conforme liberação do SECAD.
Aliar a tecnologia ao setor também promoverá a melhora da questão dos prazos para finalização do cadastro, que por diversas vezes as vendas precisam ser liberadas em prazo menor conforme necessitada do cliente ou setor de logística, com a chegada das informações de forma mais rápida a conclusão conseqüentemente será em menor tempo.
A conscientização da importância da análise para todos os colaboradores equipe de vendas, analistas e gerência financeira são essenciais para o sucesso do setor, visto que todos precisam estar comprometidos para e trabalhando juntos para aconteça de forma eficiente o processo.

9 REFERÊNCIAS

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