MEDICAMENTOS GENÉRICOS: UMA ANÁLISE DA PERCEPÇÃO DOS CONSUMIDORES COMO ELEMENTO DIRECIONADOR PARA UM POSICIONAMENTO ESTRATÉGICO EFETIVO DAS EMPRESAS FARMACÊUTICAS NO MUNICÍPIO DE TRÊS PONTAS.

THIAGO TEIXEIRA GIRARDELLE

ANDRÉ FELIPE OLIVEIRA

ANDERSON LUIZ REZENDE MÓL

1-Resumo

Este artigo visa levantar e traçar o perfil e a percepção dos consumidores de medicamentos genéricos na cidade de Três Pontas.
O estudo mostra a necessidade de evidenciar as ameaças e oportunidades do segmento farmacêutico com foco no segmento de medicamentos genéricos
O artigo se baseia numa pesquisa exploratória por meio de questionário estruturado realizada na segunda quinzena de junho do corrente ano. A pesquisa apontou para o perfil dos consumidores de medicamentos genéricos associando-os a variáveis categóricas como gênero, faixa etária, renda familiar, escolaridades e outros elementos caracterizadores da amostra.
O artigo conclui que para os genéricos cumpram o papel de ampliação do acesso a medicamentos, e assim o continuo sucesso dos estabelecimentos que apostaram nessa estratégia, precisam estar integrados as políticas públicas mais abrangentes, que contemplem, por exemplo, a introdução de programas de co-pagamentos para medicamentos envolvendo os planos de saúde, campanhas governamentais de esclarecimento a população e classe médica, visto que o grande problema enfrentado para que os genéricos se fortaleçam ainda mais no mercado, é a falta de informação sobre eles perante a população, e a revisão do sistema de compras públicas para hospitais e postos de saúde.
Isto posto, as organizações farmacêuticas devem se posicionar no mercado com vistas a redução dos custos atendendo ao posicionamento indicado por Porter com liderança em custo. Para isso a escala de vendas deve ser ampliada para sustentar tal política. Nisso os programas de marketing e publicidade devem atender a classe de renda familiar acima dos 5 salários mínimos e abaixo de dois salários pois é onde a intensidade de compra é relativamente reduzida.

2-Palavras chave: posicionamento, planejamento estratégico, informação e medicamentos genéricos.

Introdução

Atualmente, para competir, as empresas precisam estar em um estado de constante mudança, pois a velocidade com que as inovações e as novas técnicas de gestão são criadas e implementadas faz com que aquelas que não acompanham este ritmo tornem-se organizações defasadas e obsoletas. Isso força o abandono da cômoda postura reativa e obriga a adoção de uma postura pró-ativa que permita adquirir e desenvolver novas competências. Em meio a esta turbulência, muitas vezes, torna-se difícil enxergar com clareza qual o caminho a ser escolhido. Esta tarefa poderá tornar-se mais fácil ao se analisarem em dois pontos importantes. Primeiro, muitos são os objetivos de uma organização, porém, excetuando-se aquelas organizações sem fins lucrativas, a maximização da riqueza dos proprietários é comum a todas. Segundo, a mensuração de resultados é freqüentemente expressa e mais claramente compreendida quando traduzida em termos financeiros (GITMAN, 2001). O ambiente sempre interagiu como a "mola propulsora" das mudanças organizacionais. Hoje, mais do que nunca se observa a sua influência, frente aos processos de globalização e a necessidade de um dinamismo maior dos processos de mudança da organização, visto que o aumento da competitividade global, vem pressionando tanto grandes quanto pequenas empresas, sobrevivendo apenas aquelas que conseguem se adaptar e responder rapidamente e eficazmente a estas necessidades. O conhecimento pelas empresas da participação de seus produtos no mercado e o crescimento deste, a identificação de seus pontos fortes e fracos, ameaças e oportunidades, se faz necessário para sua sobrevivência.
As empresas perceberam que não é necessário somente diminuir os custos, dos quais não se discute a importância, mais para construir uma vantagem competitiva duradoura é necessário também agregar valor. Assim, não se pode mais buscar estratégias que, apenas, garantam a sobrevivência imediata. Na verdade, a longo prazo, o alvo deve ser o crescimento e a conquista de novas e maiores fatias de mercado. Isto representa um desafio que, para ser vencido, exige maiores esforços, internos e externos à organização, pois os clientes são mais exigentes e desejam um maior nível de serviço a preços decrescentes. O aumento da competitividade, clientes mais exigentes, produtos com menores ciclos de vida, menor força das marcas e a globalização são desafios que não podem mais se postergados. Ao contrário, exigem que as empresas sejam mais criativas e se diferenciem de seus concorrentes para que possam ser lucrativas e competitivas no curto e no longo prazo. A lucratividade da organização é fundamental para sua continuidade, bem como é um fator desejado pelos seus acionistas, credores e funcionários. Sem esta condição a empresa acabará vendo-se ameaçada e enfraquecida. Portanto, para consegui-la, é preciso diminuir os custos ou aumentar a receita, pela agregação de valor aos produtos. O mais desejável seria conseguir os dois simultaneamente para, além de aumentar a lucratividade, garantir uma posição competitiva, confortável e duradoura.
Na nova economia, se valoriza profundamente a informação, serviços, suporte e distribuição. Existe uma demanda penetrante para inovação contínua, para se criar valor competitivo. Existe uma fragmentação do mercado consumidor e do negócio, com preferências muito diferentes, e a nova tecnologia permite-se identificar e servir micro mercados alvo, de maneira mais fácil, rápida e mais barata .Um fator decisivo para que a empresa tenha sucesso e se mantenha no mercado, é obter informações de qualidade. É necessário obter o maior numero possível de dados, para que esses sejam analisados e transformados em informações. E uma das informações mais importantes que uma empresa pode obter é o conhecimento a fundo do seu público alvo, ou seja obter dados sobre suas condições, desde sua preferência, idade, e até condição financeira, para que assim a empresa desenvolva um serviço ou adquira produtos que atendam a essas necessidades e assim obtenha a maior fatia de mercado possível.
Neste sentido, a globalização e a alta competitividade do mercado atingi todos os ramos industriais e comerciais, dentre eles o varejo farmacêutico. As farmácias vem passando por enormes dificuldades, como o alto número e valor dos impostos, as exigências extremas de órgãos regulamentadores e principalmente o aumento excessivo do número de estabelecimentos nesse segmento. Frente a essas dificuldades é preciso achar caminhos a se seguir para que assim possa se manter no mercado, ou seja, é preciso fazer uma boa analise e um bom planejamento. Um caminho que emerge às farmácias e que tem se mostrado bastante interessante é o investimento em medicamentos genéricos, pois estes tendem a ser mais lucrativos, e também geram impostos menores que os medicamentos tradicionais. Mas como todo novo produto, os medicamentos genéricos tem suas dificuldades para entrarem definitivamente no mercado e serem aceitos pelos consumidores.
Isto posto, o objetivo do trabalho é o levantamento exploratório da percepção dos consumidores de medicamentos para que se possa conhecer e traçar a fundo o perfil dos consumidores de medicamentos, suas preferências e condições, com vista à formulação de ações para um efetivo posicionamento de mercado. Especificamente o trabalho busca identificar se as informações sobre os genéricos, são bem divulgadas, verificar o grau de satisfação das pessoas que usam, ou já usaram medicamentos genéricos.

Importância do trabalho

Estamos vivendo uma era de lutas por fatias de mercado, e cada informação é importantíssima para que se faça um planejamento correto, para que se defina uma estratégia adequada, e então se tome uma decisão coerente, e nada melhor que conhecermos detalhadamente os consumidores quanto aos seus hábitos de compra de remédios.
Esse trabalho possibilitará uma melhor visão dos consumidores, conhecendo seu perfil, ou seja, suas preferências, dúvidas, para que a partir dos dados manipulados nesse trabalho, possa-se direcionar as empresas e orgãos de saúde, focalizados na preferência e necessidades dos consumidores. Com esta análise ambiental pretende-se formular estratégias competitivas com vista a ganho de mercado. O trabalho atenderá, também, aos órgão responsáveis pelo desenvolvimento de política públicas no município por permitir entender os hábitos de consumo de medicamentos na cidade de Três Pontas.

Fundamentação teórica

Recentemente, a preocupação com o conceito de estratégia e de administração estratégica vem levando as empresas à retomada de perguntas essenciais sobre a missão e os objetivos empresariais: "o que somos ?", "o que queremos ser ?" , e mais ainda, fundamentalmente, a pergunta sobre "como passar do que somos para o que queremos ser?".
A decisão, segundo Ansoff (1977), é um problema geral das atividades da empresa que consiste em configurar e dirigir o processo de conversão de recursos de maneira a otimizar a consecução dos objetivos, acrescenta o autor que neste processo caracterizam-se três categorias (ou níveis) de decisões: estratégicas, administrativas e operacionais; sendo estas interdependentes e complementares.
As decisões estratégicas, segundo Fischmann & Almeida (1995), diz respeito ao caminho que a organização como um todo deverá seguir, e só recentemente tem merecido maior atenção dos administradores, que procuram desenvolver técnicas para facilitar o trabalho de conduzir a organização na melhor direção. Para os autores, a administração estratégica é o processo de tornar a organização capaz de integrar as decisões administrativas e operacionais com as estratégicas, procurando dar ao mesmo tempo maior eficiência e eficácia à organização.
O planejamento estratégico para Ackoff (1976), caracteriza-se por ser um processo de longo prazo, que lida com decisões de efeitos duradouros que sejam difíceis de se modificar; as decisões estratégicas são aquelas que mais afetam as atividades da organização, pois dizem respeito tanto a formulação de objetivos quanto à escolha dos meios para atingi-los; o planejamento estratégico se orienta, portanto, para os meios e para os fins.
Fischmann & Almeida (1995) definem o planejamento estratégico como uma técnica administrativa que, através da análise do ambiente de uma organização, cria a consciência das suas oportunidades e ameaças dos seus pontos fortes e fracos para o cumprimento da sua missão e através desta consciência, estabelece o propósito de direção que a organização deverá seguir para aproveitar as oportunidades e evitar riscos. Já, o planejamento tático (orçamento), é um planejamento de curto prazo, predominantemente quantitativo, abrangendo decisões administrativas e operações, visando à eficiência da organização.
Para Oliveira (1989), o planejamento estratégico é um processo gerencial que possibilita ao executivo estabelecer o rumo a ser seguido pela empresa, com vistas a obter um nível de otimização na relação da empresa com seu ambiente. É, normalmente, de responsabilidade dos níveis mais altos da empresa e diz respeito tanto a formulação de objetivos quanto a seleção dos cursos de ação a serem seguidos para a sua consecução, levando em conta as condições externas e internas à empresa e sua evolução esperada.
O planejamento estratégico, em resumo, é para Maximiniano (1997:266), o processo de desenvolver a estratégia, a relação pretendida da organização com o seu ambiente.
A divisão das atividades do planejamento estratégico e sua implementação em etapas tem sua importância didática para o entendimento do processo e para facilitar a realização e o acompanhamento do cronograma; a seqüência de etapas não é algo rígido, variando tanto entre autores como entre organizações; embora o planejamento estratégico seja feito com um horizonte longo de tempo, ele deve ser refeito todos os anos para incluir as alterações que acontecerem no ambiente, ressaltam Fischmann & Almeida (1995) propondo a seqüência abaixo para realizar o plano e implementá-lo.

6.2-Seqüência de elaboração do Planejamento Estratégico.

1) Avaliação da estratégia vigente: qual é o caminho que a organização vem seguindo? Qual é a sua função?
2) Avaliação do ambiente: conscientização das oportunidades e ameaças e dos pontos fortes e fracos para o cumprimento da missão.
3) Estabelecimento do perfil estratégico: propósito de direção que a organização deverá seguir para aproveitar as oportunidades e evitar as ameaças.
4) Quantificação dos objetivos: viabilidade dos objetivos traçados.
5) Finalização: resumo do Plano Estratégico em um pequeno documento.

Seqüência da implementação (colocá-lo na prática)

6) Divulgação: transmitir aos elementos de decisão da empresa, o que se espera na sua alçada de atuação.
7) Preparação da organização: treinamento, plano de incentivos, mudanças de estrutura, desenvolvimento de sistemas de informações.
8) Integração com o plano tático: colocar no orçamento as idéias do Planejamento Estratégico, integrando as decisões administrativas e operacionais com as estratégicas.
9) Acompanhamento: avaliar e controlar a implementação, para assegurar o cumprimento da estratégia estabelecida; se não for possível o cumprimento, alterar a estratégia.
Advogam Fischmann & Almeida (1995) que, para uma organização que já tenha o plano estratégico, a última etapa é semelhante a primeira, pois em ambas estaremos refletindo sobre o caminho que a organização vem seguindo, mas na primeira etapa estaremos preparando-nos para a realização de um plano e na última estaremos verificando os acertos e as falhas da implementação ou da estratégia em relação a os objetivos pretendidos. As etapas de um plano são flexíveis, de forma que sempre haverá a possibilidade de ser revisto; para que as revisões não tornem o plano inacabável, é preciso estabelecer uma data limite, que normalmente coincide com o início do orçamento.
A implementação para Fischmann (1987), é inerente a administração; constitui-se em etapa na qual se dá, ou não, a conversão do planejado em realidade; como tal, apresenta-se usualmente como um momento de tensão, uma vez que em geral nossas aspirações suplantam nossas capacidades e disponibilidades de recursos; essa tensão torna-se maior sempre que as aspirações, traduzidas em planos, voltam-se para a introdução de inovações que representam mudanças organizacionais relevantes.
Uma crítica aos conceitos e etapas da elaboração do planejamento estratégico é discutido por Zaccarelli (1995) tratando o assunto pela ótica da concorrência de mercado, onde o autor coloca que a empresa não precisa fixar seus objetivos pois estes dependem mais da ação dos concorrentes e; os pontos fortes e pontos fracos da empresa devem ser analisados do ponto de vista de como esses geram ou não vantagens competitivas para a empresa.

Medicamentos genéricos

Para um bom entendimento do assunto estudado, que visa um bom planejamento estratégico de empresas do varejo farmacêutico, com ênfase em medicamentos genéricos, é preciso que se conheça alguns conceitos. Veremos a seguir alguns conceitos sobre medicamentos, segundo a ANVISA ( Agência Nacional de Vigilância Sanitária ), que facilitarão esse entendimento.
Os medicamentos genéricos são remédios comercializados com o nome de sua substância ativa, e não com um nome de fantasia como os remédios tradicionais, ou seja, sem a marca comercial., e que tenham comprovada sua bioequivalência e biodisponibilidade em relação ao medicamento de referência. São medicamentos com a mesma eficácia e segurança dos medicamentos de referência, mas porém em média 30% mais baratos. Entende-se o medicamento genérico, na referência da OMS, como "produto farmacêutico intercambiável", um produto farmacêutico que pretende ser intercambiável com o produto inovador, geralmente produzido após a expiração da proteção patentária ou outros direitos de exclusividade, independente de autorização da companhia farmacêutica inovadora. Um produto farmacêutico é intercambiável quando é equivalente terapêutico a um medicamento de referência.
Denominação genérica - Nome empregado para distinguir um princípio ativo que não está amparado por marca comercial. É usado comumente por diversos fabricantes e reconhecido pela autoridade competente, para denominar produtos farmacêuticos, que contenham o mesmo princípio ativo. O nome genérico, geralmente corresponde ao da Denominação Comum Brasileira (DCB) ou, complementarmente, da Denominação Comum Internacional (DCI), recomendada pela OMS.
Medicamento inovador - Em geral, é aquele com marca, autorizado em primeiro lugar para comercialização (normalmente como medicamento patenteado), com base em documentação de eficácia, segurança e qualidade reconhecida pela autoridade sanitária nacional. Quando um medicamento esta disponível há muitos anos, pode não ser possível identificá-lo como produto farmacêutico inovador.
Medicamento de referência - Corresponde a um produto comercializado, com o qual outros produtos pretendem ser intercambiáveis na prática clínica. Geralmente corresponde ao produto farmacêutico inovador, ou, na sua ausência, ao líder de vendas no mercado, do qual se comprovam a eficácia, a segurança e a qualidade.
Medicamento similar - É aquele que contém os mesmos princípios ativos, as mesmas concentrações, as mesmas formas farmacêuticas, a mesma via de administração, a mesma indicação terapêutica, a mesma posologia e que equivale ao medicamento de referência, podendo diferir somente em características de tamanho, forma, prazo de validade, embalagem, rotulagem e excipientes.
Equivalência farmacêutica - Dois produtos são farmaceuticamente equivalentes se contêm a mesma quantidade da mesma substância ativa, na mesma forma farmacêutica; se apresentam padrões idênticos ou comparáveis e se estão indicados para administração pela mesma via. Entretanto, equivalência farmacêutica não necessariamente acarreta equivalência terapêutica, tendo em vista que as diferenças nos excipientes e/ou no processo de fabricação podem conduzir a diferenças no desempenho do produto.
Equivalência terapêutica - Dois produtos farmacêuticos são terapeuticamente equivalentes se farmaceuticamente equivalentes e se, depois de sua administração na mesma dose molar, seus efeitos com respeito a eficácia e a segurança forem essencialmente os mesmos, determinados através de estudos apropriados (de bioequivalência, farmacodinâmicos, clínicos ou provas in vitro).

Benefícios do Uso dos Medicamentos Genéricos

O benefício maior é aquele que se obtém com qualidade e baixo custo. E isso independe da posição social do consumidor. Os genéricos são uma alternativa mais barata para o tratamento da saúde, com a mesma eficácia e segurança dos medicamentos de marca comercial. Além destes benefícios a população, os medicamentos genéricos possibilitam a diminuição de gastos nos serviços de assistência farmacêutica governamentais, que podem adquirir e distribuir à população carente medicamentos de qualidade a custo reduzido, e também o benefício da própria redução dos preços dos medicamentos de marca. Se o genérico (com a mesma composição qualitativa e quantitativa em substâncias ativas semelhantes aos medicamentos de marca) pode custar em média 30% mais barato, mas em alguns casos a diferença é de até 50%, o medicamento de marca também pode ter sua margem reduzida e cair de preço.

Metodologia

Em virtude da não existência de informações pertinentes ao assunto no município estudado foi adotada uma pesquisa exploratória, pois segundo REIS (2003), quando um problema é pouco conhecido, ou quando as hipóteses ainda não foram definidas de forma clara, estamos diante de uma pesquisa exploratória. Seu objetivo, consiste em inicialmente caracterizar o problema, classifica-lo e defini-lo. Toda pesquisa científica, não tem por objetivo resolver imediatamente um problema, e sim de dimensiona-lo, caracterizá-lo, como sua primeira preocupação.
Este trabalho foi realizado através da aplicação de um questionário estruturado, tendo sua aplicação ter sido efetuada de forma aleatória. As pesquisas foram realizadas na segunda quinzena de junho 2005.
O número de pessoas pesquisadas foi calculado com base na fórmula de Amostragem Simples Finita, com erro amostral de 10% e um nível de confiança de 95%. Foi considerada a pior hipótese, ou seja, que 50% das pessoas entrevistadas já usaram medicamentos genéricos, e que os outros 50% ainda não usaram medicamentos genéricos, e utilizado o número de habitantes do município com base no senso (IBGE) de 2004 (53688 hab), totalizando 96 pessoas a serem pesquisadas. Mas, para que a tabulação dos dados fosse facilitada foram aplicados 100 questionários.

Para a tabulação dos dados foi utilizado o programa SPSS 8.0 for Windows

Resultados e Discussão

Conforme podemos ver na figura 1 abaixo, a grande maioria, ou seja 79% da população pesquisada no município de Três Pontas, já tomou pelo menos uma vez, algum medicamento genérico.
Porém, as empresas interessadas na comercialização de medicamentos genéricos, podem aumentar suas vendas destes produtos, visto que 21% dos entrevistados ainda não tiveram nenhum contato com esse tipo de medicamento.

Figura 1 - Porcentagem de pessoas que já usaram medicamentos genéricos

A tabela 1 que se segue, abaixo, nos mostra que a maioria dos usuários de medicamentos genéricos, 20,3%, pertencem ao sexo masculino, e estão inseridas na faixa etária até os 25 anos de idade; 11,4% estão inseridas na faixa etária compreendida entre 25 e 40 anos, sendo também do sexo masculino. As mulheres apresentam melhor equidistribuição de consumo de medicamentos entre as faixas etárias.
Já, as pessoas que ainda, não, usaram esse tipo de medicamento, a maioria 28,6% também é do sexo masculino, e tem, entre 25 e 40 anos, e a minoria, 4,8% também do sexo masculino, e tem até 25 anos.
Uma informação relevante é que a metade praticamente da população trespontana ainda não adquiriu medicamentos genéricos. Isto sugere forte atenção para os possíveis elementos geradores do cenário apresentado.
A expectativa da maioria dos usuários se encontram na faixa etária que vai até os 25 anos de idade, é confirmada na tabela 1 por se considerar que pessoas nessa idade são mais flexíveis a mudanças e inclusive estão mais abertas a aceitarem novos produtos. Igualmente acompanhada pelos consumidores acima de quarenta anos que são aposentados e apresentam forte sensibilidade a preços tornando os medicamentos muito elásticos do ponto de vista econômico.

Tabela 1 - Análise cruzada entre usuários de medicamentos genéricos, gênero e faixa etária

Buscando elucidar maiores informações sobre o perfil dos consumidores de medicamentos genéricos a tabela 2 evidencia a porcentagem de pessoas que já usaram ou não medicamentos genéricos em relação à escolaridade e renda familiar, sendo que a maioria dos entrevistados, 34,2%, que já usaram algum medicamento genérico, possuem uma renda familiar de 2 à 5 salários, com um grau de escolaridade a nível de segundo grau (incompleto ou completo). Ao desconsiderarmos o item escolaridade, percebe-se que o nível de aderência deste tipo de medicamento para a classe de renda familiar entre 2 e 5 salários sobe para 73,4%. Isto já era esperado pelo fato do medicamento genérico gerar maiores benefícios reais para os consumidores de menor renda.
Uma informação curiosa é que as famílias com renda familiar menor que 2 salários apresenta ausência quase completa de compras por meio de medicamentos genéricos. Isso pode ser justificado pelo fato de que ainda que o medicamento seja mais barato, ainda se apresenta muito elevado impedindo o acesso a esses medicamentos. Neste sentido estas famílias recorrem aos órgãos públicos (secretaria de saúde) para satisfazerem suas necessidades de medicamentos.

Tabela 2 - Análise cruzada no uso de medicamentos genéricos em relação à renda familiar

A tabela abaixo nos mostra o principal fator, que levou as pessoas a usarem medicamentos genéricos, em relação a sua renda familiar, sendo que a maioria dos entrevistados, ou seja 49,4%, apontam como principal fator na decisão da compra, o preço, e possuem uma renda familiar de 2 à 5 salários.
Provavelmente isto se deve ao fato, de que as pessoas acham o gasto com medicamentos elevado, e procuram uma opção mais acessível.

Tabela 3 - Análise cruzada no uso de medicamentos genéricos e fatores de decisão da compra

A tabela 4, abaixo, nos mostra o grau de satisfação com o resultado obtido com o uso dos genéricos, sendo que a maioria dos entrevistados, ou seja, 25,3% que são do sexo feminino acharam os resultados obtidos ótimo.
Podemos assim, deduzir que os genéricos tem um bom efeito, pois apenas 8,9% dos entrevistados, englobando tanto o sexo masculino quanto o feminino, acharam o resultado obtido ruim

Tabela 4 - Avaliação dos Medicamentos Genéricos

A tabela 5, abaixo, nos mostra o que as pessoas acham do custo benefício dos medicamentos genéricos, e a maioria, 74,7% dos entrevistados acharam que o custo benefício é ótimo, pois há resultado na administração desses medicamentos e o preço é adequado.

Tabela 5 - Avaliação do Custo benefício dos Medicamentos Genéricos

O principal motivo que leva as pessoas à não aderirem aos medicamentos genéricos, é mostrada na próxima tabela. O principal motivo, apontado por, 71,4% dos entrevistados, é a falta de informação sobre esses medicamentos. Isto se torna bastante curioso pois a mídia de massa tem freqüentemente veiculado propagandas informativas para esses produtos. Isto posto, podemos afirmar que o direcionamento dessas propagandas não tem tido êxito na cidade de três Pontas, o que sugere posicionamento de divulgação e propaganda mais eficazes e direcionadas ao público alvo.

Tabela 6 - Fatores limitantes ao uso dos Medicamentos Genéricos

Como se pode perceber, a tabela 7 a seguir nos mostra, o porque de muitas pessoas que fazem tratamento contínuo, e tem um gasto fixo com medicamentos, não optam por aquisição de medicamentos genéricos, o que aliviaria o gasto mensal.

A maioria das pessoas entrevistadas, que responderam que não fazem seus tratamentos contínuos com medicamento genéricos, é devido à nunca terem pensado nessa possibilidade

Tabela 7 - Fatores limitantes ao uso dos Medicamentos Genéricos para tratamento continuado


A figura abaixo nos mostra que uma grande parte da população, 39%, dos entrevistados não tem autorização de seu médico para consumirem um medicamento genérico. Isto indica um posicionamento emergencial com a classe médica.

Figura 2 - Porcentagem de médicos que autorizam ou não seus pacientes a usarem medicamentos genéricos

A figura 3 nos confirma a hipótese levantada anteriormente sobre a divulgação dos medicamentos genéricos. As maiorias dos entrevistados, 56% avaliam a divulgação dos medicamentos genéricos pelos órgãos responsáveis falho e ruins.

Figura 3 - Porcentagem de pessoas que acham que os genéricos são bem divulgados ou não

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Considerações Finais

É preciso enxergar as ameaças e oportunidades do mercado, e muitas vezes as oportunidades estão bem próximas, basta percebê-las. Todas as empresas buscam produtos que dão um maior lucro a um menor custo.
Os medicamentos genéricos são um caminho interessante a se seguir, pois tem varias qualidades reunidas. Esse tipo de medicamento pode ser a chave para a sobrevivência de muitas empresas do ramo farmacêutico para que possam aumentar a receita e diminuir as despesas, pois eles tem um preço extremamente menor que os medicamentos éticos, podendo assim requisitar um menor capital para que a empresa e o paciente comprem a mesma, ou até uma maior quantidade de medicamentos, que se comprassem os medicamentos de marca.
E as vantagens não param por ai, pois investindo nesses medicamentos as empresas conseguem economizar muito em impostos, pois as tarifas são muito pequenas, e oferecem também uma boa qualidade, o que é muito importante, pois não basta preço, o produto tem que ser bom, ou então acaba saindo do mercado.
Mas para que os genéricos cumpram o papel de ampliação do acesso global, e assim o continuo sucesso dos estabelecimentos que apostaram nessa estratégia, precisam estar integrados as políticas públicas mais abrangentes, que contemplem, por exemplo, a introdução de programas de co-pagamentos para medicamentos envolvendo os planos de saúde, campanhas governamentais de esclarecimento a população e classe médica, visto que o grande problema enfrentado para que os genéricos se fortaleçam ainda mais no mercado, é a falta de informação sobre eles perante a população, e a revisão do sistema de compras públicas para hospitais e postos de saúde.
Isto posto, as organizações farmacêuticas devem se posicionar no mercado com vistas a redução dos custos atendendo ao posicionamento indicado por Porter com liderança em custo. Para isso a escala de vendas deve ser ampliada para sustentar tal política. Nisso os programas de marketing e publicidade devem atender a classe de renda familiar acima dos 5 salários mínimos e abaixo de dois salários pois é onde a intensidade de compra é relativamente reduzida.

10-REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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