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MEDICAMENTOS GENÉRICOS: UMA ANÁLISE DA
PERCEPÇÃO DOS CONSUMIDORES COMO ELEMENTO DIRECIONADOR PARA
UM POSICIONAMENTO ESTRATÉGICO EFETIVO DAS EMPRESAS FARMACÊUTICAS
NO MUNICÍPIO DE TRÊS PONTAS.
THIAGO TEIXEIRA GIRARDELLE
ANDRÉ FELIPE OLIVEIRA
ANDERSON LUIZ REZENDE MÓL
1-Resumo
Este artigo visa levantar e traçar o perfil e a
percepção dos consumidores de medicamentos genéricos
na cidade de Três Pontas.
O estudo mostra a necessidade de evidenciar as ameaças e oportunidades
do segmento farmacêutico com foco no segmento de medicamentos genéricos
O artigo se baseia numa pesquisa exploratória por meio de questionário
estruturado realizada na segunda quinzena de junho do corrente ano. A
pesquisa apontou para o perfil dos consumidores de medicamentos genéricos
associando-os a variáveis categóricas como gênero,
faixa etária, renda familiar, escolaridades e outros elementos
caracterizadores da amostra.
O artigo conclui que para os genéricos cumpram o papel de ampliação
do acesso a medicamentos, e assim o continuo sucesso dos estabelecimentos
que apostaram nessa estratégia, precisam estar integrados as políticas
públicas mais abrangentes, que contemplem, por exemplo, a introdução
de programas de co-pagamentos para medicamentos envolvendo os planos de
saúde, campanhas governamentais de esclarecimento a população
e classe médica, visto que o grande problema enfrentado para que
os genéricos se fortaleçam ainda mais no mercado, é
a falta de informação sobre eles perante a população,
e a revisão do sistema de compras públicas para hospitais
e postos de saúde.
Isto posto, as organizações farmacêuticas devem se
posicionar no mercado com vistas a redução dos custos atendendo
ao posicionamento indicado por Porter com liderança em custo. Para
isso a escala de vendas deve ser ampliada para sustentar tal política.
Nisso os programas de marketing e publicidade devem atender a classe de
renda familiar acima dos 5 salários mínimos e abaixo de
dois salários pois é onde a intensidade de compra é
relativamente reduzida.
2-Palavras chave: posicionamento, planejamento estratégico,
informação e medicamentos genéricos.
Introdução
Atualmente, para competir, as empresas precisam estar em
um estado de constante mudança, pois a velocidade com que as inovações
e as novas técnicas de gestão são criadas e implementadas
faz com que aquelas que não acompanham este ritmo tornem-se organizações
defasadas e obsoletas. Isso força o abandono da cômoda postura
reativa e obriga a adoção de uma postura pró-ativa
que permita adquirir e desenvolver novas competências. Em meio a
esta turbulência, muitas vezes, torna-se difícil enxergar
com clareza qual o caminho a ser escolhido. Esta tarefa poderá
tornar-se mais fácil ao se analisarem em dois pontos importantes.
Primeiro, muitos são os objetivos de uma organização,
porém, excetuando-se aquelas organizações sem fins
lucrativas, a maximização da riqueza dos proprietários
é comum a todas. Segundo, a mensuração de resultados
é freqüentemente expressa e mais claramente compreendida quando
traduzida em termos financeiros (GITMAN, 2001). O ambiente sempre interagiu
como a "mola propulsora" das mudanças organizacionais.
Hoje, mais do que nunca se observa a sua influência, frente aos
processos de globalização e a necessidade de um dinamismo
maior dos processos de mudança da organização, visto
que o aumento da competitividade global, vem pressionando tanto grandes
quanto pequenas empresas, sobrevivendo apenas aquelas que conseguem se
adaptar e responder rapidamente e eficazmente a estas necessidades. O
conhecimento pelas empresas da participação de seus produtos
no mercado e o crescimento deste, a identificação de seus
pontos fortes e fracos, ameaças e oportunidades, se faz necessário
para sua sobrevivência.
As empresas perceberam que não é necessário somente
diminuir os custos, dos quais não se discute a importância,
mais para construir uma vantagem competitiva duradoura é necessário
também agregar valor. Assim, não se pode mais buscar estratégias
que, apenas, garantam a sobrevivência imediata. Na verdade, a longo
prazo, o alvo deve ser o crescimento e a conquista de novas e maiores
fatias de mercado. Isto representa um desafio que, para ser vencido, exige
maiores esforços, internos e externos à organização,
pois os clientes são mais exigentes e desejam um maior nível
de serviço a preços decrescentes. O aumento da competitividade,
clientes mais exigentes, produtos com menores ciclos de vida, menor força
das marcas e a globalização são desafios que não
podem mais se postergados. Ao contrário, exigem que as empresas
sejam mais criativas e se diferenciem de seus concorrentes para que possam
ser lucrativas e competitivas no curto e no longo prazo. A lucratividade
da organização é fundamental para sua continuidade,
bem como é um fator desejado pelos seus acionistas, credores e
funcionários. Sem esta condição a empresa acabará
vendo-se ameaçada e enfraquecida. Portanto, para consegui-la, é
preciso diminuir os custos ou aumentar a receita, pela agregação
de valor aos produtos. O mais desejável seria conseguir os dois
simultaneamente para, além de aumentar a lucratividade, garantir
uma posição competitiva, confortável e duradoura.
Na nova economia, se valoriza profundamente a informação,
serviços, suporte e distribuição. Existe uma demanda
penetrante para inovação contínua, para se criar
valor competitivo. Existe uma fragmentação do mercado consumidor
e do negócio, com preferências muito diferentes, e a nova
tecnologia permite-se identificar e servir micro mercados alvo, de maneira
mais fácil, rápida e mais barata .Um fator decisivo para
que a empresa tenha sucesso e se mantenha no mercado, é obter informações
de qualidade. É necessário obter o maior numero possível
de dados, para que esses sejam analisados e transformados em informações.
E uma das informações mais importantes que uma empresa pode
obter é o conhecimento a fundo do seu público alvo, ou seja
obter dados sobre suas condições, desde sua preferência,
idade, e até condição financeira, para que assim
a empresa desenvolva um serviço ou adquira produtos que atendam
a essas necessidades e assim obtenha a maior fatia de mercado possível.
Neste sentido, a globalização e a alta competitividade do
mercado atingi todos os ramos industriais e comerciais, dentre eles o
varejo farmacêutico. As farmácias vem passando por enormes
dificuldades, como o alto número e valor dos impostos, as exigências
extremas de órgãos regulamentadores e principalmente o aumento
excessivo do número de estabelecimentos nesse segmento. Frente
a essas dificuldades é preciso achar caminhos a se seguir para
que assim possa se manter no mercado, ou seja, é preciso fazer
uma boa analise e um bom planejamento. Um caminho que emerge às
farmácias e que tem se mostrado bastante interessante é
o investimento em medicamentos genéricos, pois estes tendem a ser
mais lucrativos, e também geram impostos menores que os medicamentos
tradicionais. Mas como todo novo produto, os medicamentos genéricos
tem suas dificuldades para entrarem definitivamente no mercado e serem
aceitos pelos consumidores.
Isto posto, o objetivo do trabalho é o levantamento exploratório
da percepção dos consumidores de medicamentos para que se
possa conhecer e traçar a fundo o perfil dos consumidores de medicamentos,
suas preferências e condições, com vista à
formulação de ações para um efetivo posicionamento
de mercado. Especificamente o trabalho busca identificar se as informações
sobre os genéricos, são bem divulgadas, verificar o grau
de satisfação das pessoas que usam, ou já usaram
medicamentos genéricos.
Importância do trabalho
Estamos vivendo uma era de lutas por fatias de mercado,
e cada informação é importantíssima para que
se faça um planejamento correto, para que se defina uma estratégia
adequada, e então se tome uma decisão coerente, e nada melhor
que conhecermos detalhadamente os consumidores quanto aos seus hábitos
de compra de remédios.
Esse trabalho possibilitará uma melhor visão dos consumidores,
conhecendo seu perfil, ou seja, suas preferências, dúvidas,
para que a partir dos dados manipulados nesse trabalho, possa-se direcionar
as empresas e orgãos de saúde, focalizados na preferência
e necessidades dos consumidores. Com esta análise ambiental pretende-se
formular estratégias competitivas com vista a ganho de mercado.
O trabalho atenderá, também, aos órgão responsáveis
pelo desenvolvimento de política públicas no município
por permitir entender os hábitos de consumo de medicamentos na
cidade de Três Pontas.
Fundamentação teórica
Recentemente, a preocupação com o conceito
de estratégia e de administração estratégica
vem levando as empresas à retomada de perguntas essenciais sobre
a missão e os objetivos empresariais: "o que somos ?",
"o que queremos ser ?" , e mais ainda, fundamentalmente, a pergunta
sobre "como passar do que somos para o que queremos ser?".
A decisão, segundo Ansoff (1977), é um problema geral das
atividades da empresa que consiste em configurar e dirigir o processo
de conversão de recursos de maneira a otimizar a consecução
dos objetivos, acrescenta o autor que neste processo caracterizam-se três
categorias (ou níveis) de decisões: estratégicas,
administrativas e operacionais; sendo estas interdependentes e complementares.
As decisões estratégicas, segundo Fischmann & Almeida
(1995), diz respeito ao caminho que a organização como um
todo deverá seguir, e só recentemente tem merecido maior
atenção dos administradores, que procuram desenvolver técnicas
para facilitar o trabalho de conduzir a organização na melhor
direção. Para os autores, a administração
estratégica é o processo de tornar a organização
capaz de integrar as decisões administrativas e operacionais com
as estratégicas, procurando dar ao mesmo tempo maior eficiência
e eficácia à organização.
O planejamento estratégico para Ackoff (1976), caracteriza-se por
ser um processo de longo prazo, que lida com decisões de efeitos
duradouros que sejam difíceis de se modificar; as decisões
estratégicas são aquelas que mais afetam as atividades da
organização, pois dizem respeito tanto a formulação
de objetivos quanto à escolha dos meios para atingi-los; o planejamento
estratégico se orienta, portanto, para os meios e para os fins.
Fischmann & Almeida (1995) definem o planejamento estratégico
como uma técnica administrativa que, através da análise
do ambiente de uma organização, cria a consciência
das suas oportunidades e ameaças dos seus pontos fortes e fracos
para o cumprimento da sua missão e através desta consciência,
estabelece o propósito de direção que a organização
deverá seguir para aproveitar as oportunidades e evitar riscos.
Já, o planejamento tático (orçamento), é um
planejamento de curto prazo, predominantemente quantitativo, abrangendo
decisões administrativas e operações, visando à
eficiência da organização.
Para Oliveira (1989), o planejamento estratégico é um processo
gerencial que possibilita ao executivo estabelecer o rumo a ser seguido
pela empresa, com vistas a obter um nível de otimização
na relação da empresa com seu ambiente. É, normalmente,
de responsabilidade dos níveis mais altos da empresa e diz respeito
tanto a formulação de objetivos quanto a seleção
dos cursos de ação a serem seguidos para a sua consecução,
levando em conta as condições externas e internas à
empresa e sua evolução esperada.
O planejamento estratégico, em resumo, é para Maximiniano
(1997:266), o processo de desenvolver a estratégia, a relação
pretendida da organização com o seu ambiente.
A divisão das atividades do planejamento estratégico e sua
implementação em etapas tem sua importância didática
para o entendimento do processo e para facilitar a realização
e o acompanhamento do cronograma; a seqüência de etapas não
é algo rígido, variando tanto entre autores como entre organizações;
embora o planejamento estratégico seja feito com um horizonte longo
de tempo, ele deve ser refeito todos os anos para incluir as alterações
que acontecerem no ambiente, ressaltam Fischmann & Almeida (1995)
propondo a seqüência abaixo para realizar o plano e implementá-lo.
6.2-Seqüência de elaboração
do Planejamento Estratégico.
1) Avaliação da estratégia vigente:
qual é o caminho que a organização vem seguindo?
Qual é a sua função?
2) Avaliação do ambiente: conscientização
das oportunidades e ameaças e dos pontos fortes e fracos para o
cumprimento da missão.
3) Estabelecimento do perfil estratégico: propósito de direção
que a organização deverá seguir para aproveitar as
oportunidades e evitar as ameaças.
4) Quantificação dos objetivos: viabilidade dos objetivos
traçados.
5) Finalização: resumo do Plano Estratégico em um
pequeno documento.
Seqüência da implementação (colocá-lo
na prática)
6) Divulgação: transmitir aos elementos de
decisão da empresa, o que se espera na sua alçada de atuação.
7) Preparação da organização: treinamento,
plano de incentivos, mudanças de estrutura, desenvolvimento de
sistemas de informações.
8) Integração com o plano tático: colocar no orçamento
as idéias do Planejamento Estratégico, integrando as decisões
administrativas e operacionais com as estratégicas.
9) Acompanhamento: avaliar e controlar a implementação,
para assegurar o cumprimento da estratégia estabelecida; se não
for possível o cumprimento, alterar a estratégia.
Advogam Fischmann & Almeida (1995) que, para uma organização
que já tenha o plano estratégico, a última etapa
é semelhante a primeira, pois em ambas estaremos refletindo sobre
o caminho que a organização vem seguindo, mas na primeira
etapa estaremos preparando-nos para a realização de um plano
e na última estaremos verificando os acertos e as falhas da implementação
ou da estratégia em relação a os objetivos pretendidos.
As etapas de um plano são flexíveis, de forma que sempre
haverá a possibilidade de ser revisto; para que as revisões
não tornem o plano inacabável, é preciso estabelecer
uma data limite, que normalmente coincide com o início do orçamento.
A implementação para Fischmann (1987), é inerente
a administração; constitui-se em etapa na qual se dá,
ou não, a conversão do planejado em realidade; como tal,
apresenta-se usualmente como um momento de tensão, uma vez que
em geral nossas aspirações suplantam nossas capacidades
e disponibilidades de recursos; essa tensão torna-se maior sempre
que as aspirações, traduzidas em planos, voltam-se para
a introdução de inovações que representam
mudanças organizacionais relevantes.
Uma crítica aos conceitos e etapas da elaboração
do planejamento estratégico é discutido por Zaccarelli (1995)
tratando o assunto pela ótica da concorrência de mercado,
onde o autor coloca que a empresa não precisa fixar seus objetivos
pois estes dependem mais da ação dos concorrentes e; os
pontos fortes e pontos fracos da empresa devem ser analisados do ponto
de vista de como esses geram ou não vantagens competitivas para
a empresa.
Medicamentos genéricos
Para um bom entendimento do assunto estudado, que visa um
bom planejamento estratégico de empresas do varejo farmacêutico,
com ênfase em medicamentos genéricos, é preciso que
se conheça alguns conceitos. Veremos a seguir alguns conceitos
sobre medicamentos, segundo a ANVISA ( Agência Nacional de Vigilância
Sanitária ), que facilitarão esse entendimento.
Os medicamentos genéricos são remédios comercializados
com o nome de sua substância ativa, e não com um nome de
fantasia como os remédios tradicionais, ou seja, sem a marca comercial.,
e que tenham comprovada sua bioequivalência e biodisponibilidade
em relação ao medicamento de referência. São
medicamentos com a mesma eficácia e segurança dos medicamentos
de referência, mas porém em média 30% mais baratos.
Entende-se o medicamento genérico, na referência da OMS,
como "produto farmacêutico intercambiável", um
produto farmacêutico que pretende ser intercambiável com
o produto inovador, geralmente produzido após a expiração
da proteção patentária ou outros direitos de exclusividade,
independente de autorização da companhia farmacêutica
inovadora. Um produto farmacêutico é intercambiável
quando é equivalente terapêutico a um medicamento de referência.
Denominação genérica - Nome empregado para distinguir
um princípio ativo que não está amparado por marca
comercial. É usado comumente por diversos fabricantes e reconhecido
pela autoridade competente, para denominar produtos farmacêuticos,
que contenham o mesmo princípio ativo. O nome genérico,
geralmente corresponde ao da Denominação Comum Brasileira
(DCB) ou, complementarmente, da Denominação Comum Internacional
(DCI), recomendada pela OMS.
Medicamento inovador - Em geral, é aquele com marca, autorizado
em primeiro lugar para comercialização (normalmente como
medicamento patenteado), com base em documentação de eficácia,
segurança e qualidade reconhecida pela autoridade sanitária
nacional. Quando um medicamento esta disponível há muitos
anos, pode não ser possível identificá-lo como produto
farmacêutico inovador.
Medicamento de referência - Corresponde a um produto comercializado,
com o qual outros produtos pretendem ser intercambiáveis na prática
clínica. Geralmente corresponde ao produto farmacêutico inovador,
ou, na sua ausência, ao líder de vendas no mercado, do qual
se comprovam a eficácia, a segurança e a qualidade.
Medicamento similar - É aquele que contém os mesmos princípios
ativos, as mesmas concentrações, as mesmas formas farmacêuticas,
a mesma via de administração, a mesma indicação
terapêutica, a mesma posologia e que equivale ao medicamento de
referência, podendo diferir somente em características de
tamanho, forma, prazo de validade, embalagem, rotulagem e excipientes.
Equivalência farmacêutica - Dois produtos são farmaceuticamente
equivalentes se contêm a mesma quantidade da mesma substância
ativa, na mesma forma farmacêutica; se apresentam padrões
idênticos ou comparáveis e se estão indicados para
administração pela mesma via. Entretanto, equivalência
farmacêutica não necessariamente acarreta equivalência
terapêutica, tendo em vista que as diferenças nos excipientes
e/ou no processo de fabricação podem conduzir a diferenças
no desempenho do produto.
Equivalência terapêutica - Dois produtos farmacêuticos
são terapeuticamente equivalentes se farmaceuticamente equivalentes
e se, depois de sua administração na mesma dose molar, seus
efeitos com respeito a eficácia e a segurança forem essencialmente
os mesmos, determinados através de estudos apropriados (de bioequivalência,
farmacodinâmicos, clínicos ou provas in vitro).
Benefícios do Uso dos Medicamentos Genéricos
O benefício maior é aquele que se obtém
com qualidade e baixo custo. E isso independe da posição
social do consumidor. Os genéricos são uma alternativa mais
barata para o tratamento da saúde, com a mesma eficácia
e segurança dos medicamentos de marca comercial. Além destes
benefícios a população, os medicamentos genéricos
possibilitam a diminuição de gastos nos serviços
de assistência farmacêutica governamentais, que podem adquirir
e distribuir à população carente medicamentos de
qualidade a custo reduzido, e também o benefício da própria
redução dos preços dos medicamentos de marca. Se
o genérico (com a mesma composição qualitativa e
quantitativa em substâncias ativas semelhantes aos medicamentos
de marca) pode custar em média 30% mais barato, mas em alguns casos
a diferença é de até 50%, o medicamento de marca
também pode ter sua margem reduzida e cair de preço.
Metodologia
Em virtude da não existência de informações
pertinentes ao assunto no município estudado foi adotada uma pesquisa
exploratória, pois segundo REIS (2003), quando um problema é
pouco conhecido, ou quando as hipóteses ainda não foram
definidas de forma clara, estamos diante de uma pesquisa exploratória.
Seu objetivo, consiste em inicialmente caracterizar o problema, classifica-lo
e defini-lo. Toda pesquisa científica, não tem por objetivo
resolver imediatamente um problema, e sim de dimensiona-lo, caracterizá-lo,
como sua primeira preocupação.
Este trabalho foi realizado através da aplicação
de um questionário estruturado, tendo sua aplicação
ter sido efetuada de forma aleatória. As pesquisas foram realizadas
na segunda quinzena de junho 2005.
O número de pessoas pesquisadas foi calculado com base na fórmula
de Amostragem Simples Finita, com erro amostral de 10% e um nível
de confiança de 95%. Foi considerada a pior hipótese, ou
seja, que 50% das pessoas entrevistadas já usaram medicamentos
genéricos, e que os outros 50% ainda não usaram medicamentos
genéricos, e utilizado o número de habitantes do município
com base no senso (IBGE) de 2004 (53688 hab), totalizando 96 pessoas a
serem pesquisadas. Mas, para que a tabulação dos dados fosse
facilitada foram aplicados 100 questionários.
Para a tabulação dos dados foi utilizado o
programa SPSS 8.0 for Windows
Resultados e Discussão

Conforme podemos ver na figura 1 abaixo, a grande maioria,
ou seja 79% da população pesquisada no município
de Três Pontas, já tomou pelo menos uma vez, algum medicamento
genérico.
Porém, as empresas interessadas na comercialização
de medicamentos genéricos, podem aumentar suas vendas destes produtos,
visto que 21% dos entrevistados ainda não tiveram nenhum contato
com esse tipo de medicamento.
Figura 1 - Porcentagem de pessoas que já usaram medicamentos
genéricos
A tabela 1 que se segue, abaixo, nos mostra que a maioria
dos usuários de medicamentos genéricos, 20,3%, pertencem
ao sexo masculino, e estão inseridas na faixa etária até
os 25 anos de idade; 11,4% estão inseridas na faixa etária
compreendida entre 25 e 40 anos, sendo também do sexo masculino.
As mulheres apresentam melhor equidistribuição de consumo
de medicamentos entre as faixas etárias.
Já, as pessoas que ainda, não, usaram esse tipo de medicamento,
a maioria 28,6% também é do sexo masculino, e tem, entre
25 e 40 anos, e a minoria, 4,8% também do sexo masculino, e tem
até 25 anos.
Uma informação relevante é que a metade praticamente
da população trespontana ainda não adquiriu medicamentos
genéricos. Isto sugere forte atenção para os possíveis
elementos geradores do cenário apresentado.
A expectativa da maioria dos usuários se encontram na faixa etária
que vai até os 25 anos de idade, é confirmada na tabela
1 por se considerar que pessoas nessa idade são mais flexíveis
a mudanças e inclusive estão mais abertas a aceitarem novos
produtos. Igualmente acompanhada pelos consumidores acima de quarenta
anos que são aposentados e apresentam forte sensibilidade a preços
tornando os medicamentos muito elásticos do ponto de vista econômico.
Tabela 1 - Análise cruzada entre usuários
de medicamentos genéricos, gênero e faixa etária
Buscando elucidar maiores informações sobre
o perfil dos consumidores de medicamentos genéricos a tabela 2
evidencia a porcentagem de pessoas que já usaram ou não
medicamentos genéricos em relação à escolaridade
e renda familiar, sendo que a maioria dos entrevistados, 34,2%, que já
usaram algum medicamento genérico, possuem uma renda familiar de
2 à 5 salários, com um grau de escolaridade a nível
de segundo grau (incompleto ou completo). Ao desconsiderarmos o item escolaridade,
percebe-se que o nível de aderência deste tipo de medicamento
para a classe de renda familiar entre 2 e 5 salários sobe para
73,4%. Isto já era esperado pelo fato do medicamento genérico
gerar maiores benefícios reais para os consumidores de menor renda.
Uma informação curiosa é que as famílias com
renda familiar menor que 2 salários apresenta ausência quase
completa de compras por meio de medicamentos genéricos. Isso pode
ser justificado pelo fato de que ainda que o medicamento seja mais barato,
ainda se apresenta muito elevado impedindo o acesso a esses medicamentos.
Neste sentido estas famílias recorrem aos órgãos
públicos (secretaria de saúde) para satisfazerem suas necessidades
de medicamentos.
Tabela 2 - Análise cruzada no uso de medicamentos
genéricos em relação à renda familiar

A tabela abaixo nos mostra o principal fator, que levou
as pessoas a usarem medicamentos genéricos, em relação
a sua renda familiar, sendo que a maioria dos entrevistados, ou seja 49,4%,
apontam como principal fator na decisão da compra, o preço,
e possuem uma renda familiar de 2 à 5 salários.
Provavelmente isto se deve ao fato, de que as pessoas acham o gasto com
medicamentos elevado, e procuram uma opção mais acessível.
Tabela 3 - Análise cruzada no uso de medicamentos genéricos
e fatores de decisão da compra

A tabela 4, abaixo, nos mostra o grau de satisfação
com o resultado obtido com o uso dos genéricos, sendo que a maioria
dos entrevistados, ou seja, 25,3% que são do sexo feminino acharam
os resultados obtidos ótimo.
Podemos assim, deduzir que os genéricos tem um bom efeito, pois
apenas 8,9% dos entrevistados, englobando tanto o sexo masculino quanto
o feminino, acharam o resultado obtido ruim
Tabela 4 - Avaliação dos Medicamentos Genéricos
A tabela 5, abaixo, nos mostra o que as pessoas acham do
custo benefício dos medicamentos genéricos, e a maioria,
74,7% dos entrevistados acharam que o custo benefício é
ótimo, pois há resultado na administração
desses medicamentos e o preço é adequado.
Tabela 5 - Avaliação do Custo benefício
dos Medicamentos Genéricos
O principal motivo que leva as pessoas à não
aderirem aos medicamentos genéricos, é mostrada na próxima
tabela. O principal motivo, apontado por, 71,4% dos entrevistados, é
a falta de informação sobre esses medicamentos. Isto se
torna bastante curioso pois a mídia de massa tem freqüentemente
veiculado propagandas informativas para esses produtos. Isto posto, podemos
afirmar que o direcionamento dessas propagandas não tem tido êxito
na cidade de três Pontas, o que sugere posicionamento de divulgação
e propaganda mais eficazes e direcionadas ao público alvo.
Tabela 6 - Fatores limitantes ao uso dos Medicamentos Genéricos
Como se pode perceber, a tabela 7 a seguir nos mostra, o
porque de muitas pessoas que fazem tratamento contínuo, e tem um
gasto fixo com medicamentos, não optam por aquisição
de medicamentos genéricos, o que aliviaria o gasto mensal.
A maioria das pessoas entrevistadas, que responderam que
não fazem seus tratamentos contínuos com medicamento genéricos,
é devido à nunca terem pensado nessa possibilidade
Tabela 7 - Fatores limitantes ao uso dos Medicamentos Genéricos
para tratamento continuado

A figura abaixo nos mostra que uma grande parte da população,
39%, dos entrevistados não tem autorização de seu
médico para consumirem um medicamento genérico. Isto indica
um posicionamento emergencial com a classe médica.
Figura 2 - Porcentagem de médicos que autorizam ou não seus
pacientes a usarem medicamentos genéricos
A figura 3 nos confirma a hipótese levantada anteriormente
sobre a divulgação dos medicamentos genéricos. As
maiorias dos entrevistados, 56% avaliam a divulgação dos
medicamentos genéricos pelos órgãos responsáveis
falho e ruins.
Figura 3 - Porcentagem de pessoas que acham que os genéricos
são bem divulgados ou não
,
Considerações Finais
É preciso enxergar as ameaças e oportunidades
do mercado, e muitas vezes as oportunidades estão bem próximas,
basta percebê-las. Todas as empresas buscam produtos que dão
um maior lucro a um menor custo.
Os medicamentos genéricos são um caminho interessante a
se seguir, pois tem varias qualidades reunidas. Esse tipo de medicamento
pode ser a chave para a sobrevivência de muitas empresas do ramo
farmacêutico para que possam aumentar a receita e diminuir as despesas,
pois eles tem um preço extremamente menor que os medicamentos éticos,
podendo assim requisitar um menor capital para que a empresa e o paciente
comprem a mesma, ou até uma maior quantidade de medicamentos, que
se comprassem os medicamentos de marca.
E as vantagens não param por ai, pois investindo nesses medicamentos
as empresas conseguem economizar muito em impostos, pois as tarifas são
muito pequenas, e oferecem também uma boa qualidade, o que é
muito importante, pois não basta preço, o produto tem que
ser bom, ou então acaba saindo do mercado.
Mas para que os genéricos cumpram o papel de ampliação
do acesso global, e assim o continuo sucesso dos estabelecimentos que
apostaram nessa estratégia, precisam estar integrados as políticas
públicas mais abrangentes, que contemplem, por exemplo, a introdução
de programas de co-pagamentos para medicamentos envolvendo os planos de
saúde, campanhas governamentais de esclarecimento a população
e classe médica, visto que o grande problema enfrentado para que
os genéricos se fortaleçam ainda mais no mercado, é
a falta de informação sobre eles perante a população,
e a revisão do sistema de compras públicas para hospitais
e postos de saúde.
Isto posto, as organizações farmacêuticas devem se
posicionar no mercado com vistas a redução dos custos atendendo
ao posicionamento indicado por Porter com liderança em custo. Para
isso a escala de vendas deve ser ampliada para sustentar tal política.
Nisso os programas de marketing e publicidade devem atender a classe de
renda familiar acima dos 5 salários mínimos e abaixo de
dois salários pois é onde a intensidade de compra é
relativamente reduzida.
10-REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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ZACCARELLI, S. B. & FISCHMANN, A. A. Estratégias genéricas:
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ZACCARELLI, S. B. A moderna estratégia nas empresas e o velho planejamento
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