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19 de março de 2021

Entrevista: Elvira Alice

Da graduação em Direito pela UNIFENAS ao protagonismo feminino


Everton Marques
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“Nós mulheres somos movidas pela emoção, instinto protetor e cuidador. Ser mulher, esposa, mãe, avó, produtora, empresária e estar à frente de duas instituições é muito gratificante e desafiador. Para mim, prova o quanto somos fortes mulheres.” (Elvira Alice)

Diz o senso comum que todos os dias deveriam ser dedicados às mulheres. Afinal de contas, elas desempenham múltiplos papéis que todos nós conhecemos. O 8 de março é a data em que esta reverência ganha maior destaque. Foi, após o Dia Internacional da mulher, na mesma semana, que, por meios tecnológicos, tivemos a grata satisfação de conhecer Elvira Alice Souza Ribeiro Terra, uma mulher que, como tantas outras, exercem o protagonismo feminino e desempenha o seu papel de esposa, mãe de dois filhos (um homem e uma mulher) e avó de três netas e um neto.

Formada em Direito pela UNIFENAS, Elvira Alice é produtora rural e lida com a cafeicultura e gado de corte no Distrito do Barranco Alto, município de Alfenas – MG, possui MBA em Gestão e Educação Cooperativista pela Cooxupé e é proprietária da Jutta Coffee, empresa que produz bolsas a partir de sacos de café. Em janeiro de 2021, foi eleita presidente do Sindicato Rural de Alfenas para o mandato de 3 anos e é a primeira mulher a ocupar este cargo em 45 anos. Na entrevista que nos concedeu, ela nos conta parte de sua trajetória, de seu dia a dia, de como enxerga seu papel de liderança.

Ainda que como uma ponta de iceberg, conhecemos uma mulher que constrói sua história pessoal conectada ao campo, que, com a sua forma despretensiosa de falar, demonstra uma forte personalidade. O que nos permite afirmar que carrega consigo a esperança de que é possível trabalhar em prol de objetivos maiores que colaboram para o crescimento da comunidade em que se vive.

Antes da entrevista que segue, confidenciou o orgulho de ter estudado na UNIFENAS. “Passei cinco anos da minha vida acadêmica, com momentos inesquecíveis. Uma Universidade acolhedora. Senti-me como se estivesse em casa”, disse ela.

Como presidente do Sindicato Rural e também do Consepa Rural (Conselho Comunitário de Segurança Pública Rural de Alfenas), pretende levar segurança e estabilidade ao produtor, com cursos profissionalizantes em parceira com o SENAR e serviços com a FAEMG. “Nossa meta é dar suporte e segurança para o produtor e à sua família. Queremos levar-lhes conhecimento, informações e capacitações para que, no futuro, esses produtores deixem sucessores e não herdeiros.”



Em 8 de Março, comemoramos o Dia Internacional da Mulher. Qual o significado desta data para você?

Dia 8 é uma data simbólica para nós. Todos os dias são nossos. O nosso lugar é onde almejamos estar.



No campo da gestão, se fizermos um recorte do município de Alfenas, não são raras as mulheres que ocupam um papel de destaque. Você é um destes exemplos. É a primeira mulher a ocupar a presidência do Sindicato Rural em 45 anos. Ao final do seu mandato, ao olhar para ele, que análise pretende fazer?

No término da nossa gestão, eu, à frente de duas instituições, quero olhar para trás e ter a certeza de que deixei o melhor de mim. Como mulher, como gestora e com o sentimento de um legado para os que saberão da minha trajetória. Quero deixar um pouco de mim e levar um pouco de cada um por onde passei. A vida é um aprendizado e precisamos sair da zona de conforto.



Esta sua ponderação se aplica à sua gestão como presidente do Consepa Rural?

Sim! Em todos os sentidos. Frente à presidência do Consepa Rural, nós, da diretoria, deixaremos a cada um a união da família, a paz no campo, a certeza de que fizemos a diferença em cada lugar por onde passamos e que as famílias possam ter qualidade, sustentabilidade e rentabilidade.



De que maneira o fato de ser formada em Direito pela UNIFENAS lhe auxilia na tomada de decisões à frente dos seus empreendimentos e na presidência das duas instituições em que aplica a sua liderança?

A capacitação por meio do conhecimento, transmitido por todo o corpo docente do curso, é a base sólida que norteia as tomadas de minhas decisões. Sejam elas no âmbito pessoal, dos meus empreendimentos e, de forma contundente, nas decisões ligadas diretamente na sociedade, à frente das instituições as quais dirijo.

Você diria que a educação superior da UNIFENAS impactou positivamente a sua forma de enxergar o universo da gestão?

Não só impactou de forma positiva, como também proporcionou ampliar os horizontes através de uma dinâmica atualizada e voltada para o futuro. Na formação de profissionais e gestores diferenciados no mercado.



Que mensagem você gosta ou gostaria de transmitir para as mulheres que como você se tornam gestoras, empreendedoras?

O espírito de liderança é nato na mulher, desde o lar, gerindo suas funções de mãe, esposa, dona de casa. De forma natural vem o mecanismo ímpar de capacitação para desempenhar o papel de gestora, acreditar e colocar em prática esse potencial que nós temos. Por meio de cursos com capacitadores, acompanhando nas redes sociais os principais gestores e sempre colocando em prática ações que impactam de forma produtiva a sociedade. O tempo e as atividades estarão sempre lapidando a qualificação; cada uma que almeja chegar à posição de liderança, seja qual for o setor de atuação.



Elvira Alice é um nome que nos remete a uma pessoa com grande personalidade. Como você se enxerga na execução das atividades de liderança?

Desde criança ouço que meu nome é forte. Mas tem uma justificativa: tenho o nome das minhas duas avós. Elvira, minha vó materna, e Alice minha vó paterna. Isto sempre me motivou a buscar forças para todos os meus campos, tanto pessoal, quanto profissional. E esta ligação com o campo, com o agronegócio, serviu como combustível para ser e estar sempre ativa e disposta para a execução de cargos e posição de liderança. Quero deixar uma mensagem a todas as mulheres: liderar não é se enriquecer, mas sim fortalecer o outro.