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23 de março de 2022

UNIFENAS sedia "Diálogos Hidroviáveis - Lago de Furnas"

Palestras e mesas de debates destacaram a relevância de hidrovias e outras questões


Everton Marques
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Mesa de abertura com a presença de Adalberto Tokarski, ex-diretor geral da Antaq (Agência Nacional de Transportes Aquaviários); Danniel Ferreira Coelho, pró-reitor acadêmico da UNIFENAS; capitão de mar e guerra da Marinha do Brasil, Washington Luiz Vieira de Barros, capitão dos portos de Minas Gerais; a reitora Profa. Maria do Rosário Araújo Velano; o prefeito de Alfenas, Luiz Antônio da Silva; o deputado federal, Edinho Bez; o deputado federal Emidinho Madeira; e Marcelo da Fonseca, diretor geral do IGAM (Instituto Mineiro de Gestão das Águas)

No Dia Mundial da Água representantes da Marinha do Brasil, deputados federais, prefeitos, vereadores, movimentos sociais e instituições públicas e privadas que se preocupam com o desenvolvimento sustentável e o uso racional dos recursos hídricos se reuniram na UNIFENAS, câmpus de Alfenas. O encontro "Diálogos Hidroviáveis - Lago de Furnas" teve como proposta debater a infraestrutura, a segurança hidroviária, a gestão hídrica e a navegação. Na abertura houve um minuto de silêncio em homenagem ao Professor Edson Antônio Velano, fundador da UNIFENAS, que faleceu em 22 de março de 2008.

O encontro em Alfenas-MG foi organizado pela Empresa Executiva, que promove os diálogos em diversas regiões do Brasil, e pela Alago (Associação dos Municípios do Lago de Furnas), que convidaram a anfitriã, a reitora Profa. Maria do Rosário Araújo Velano, para fazer a abertura oficial do evento. Nas palestras, seguidas de mesas de debates, autoridades civis e militares da Marinha contribuíram com as suas percepções em relação à importância da segurança da navegação associada ao turismo, ao meio ambiente, à geração de energia, à promoção social e ao desenvolvimento regional.

Em entrevista, ao falar de como conciliar navegação comercial e turística em rios e lagos afetados pela geração de energia elétrica, Fausto Costa, secretário executivo da Alago, destacou que a presença de especialistas na área é justamente para dotar cada vez mais o Lago de Furnas de segurança. Para ele o grande número de embarcações, sejam para o lazer ou comercial, é uma preocupação para a segurança náutica. Segurança que também remete à necessidade da cota mínima de 762 do Lago de Furnas. "Essa cota mínima da garantia para o empresário investir, para ele planejar suas atividades. O turismo é uma atividade de médio e longo prazo. Então, ele tem que ter um planejamento mais a longo prazo e isso depende diretamente do nível do Lago."

Há muitos anos se debate a questão da conta mínima e uma frase de Adalberto Tokarski, ex-diretor geral da Antaq (Agência Nacional de Transportes Aquaviários) resume bem o porquê dos avanços nesta questão serem quase nulos. Fato, as empresas responsáveis pelas represas têm o "olhar apenas para a energia". Ele defende que a sociedade passe a questionar também as decisões do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS). Como disse: "não podemos ficar apenas com uma verdade".



Navegabilidade no Lago de Furnas



Sem citar nomes de instituições, Tokarski disse que foi feito um estudo que mostrou ser inviável a navegação no Lago de Furnas. Porém, ele diz que há aspectos a serem considerados. Primeiro que o Lago não está preparado para navegação e que, com uma visão de médio a longo prazo, se consegue prepará-lo para a navegação de carga. Ressalta que se deve considerar o custo de recuperação de rodovias desgastadas por caminhões e até mesmo a agressão ao meio ambiente. Exemplificou que mil caminhões de um ponto A para um ponto B seriam muito mais danosos do que apenas 10 embarcações, bem como o custo das mortes causadas por caminhões. “Então, acho que deve se fazer uma análise melhor. Temos um Lago imenso aqui e essa navegação, se planejada, pode beneficiar muito a sociedade da região.”

O ex-diretor da Agência Nacional de Transportes Aquaviários complementa: "Hoje só se avalia o custo do frete ferroviário e hidroviário. Não há recurso específico para criar uma hidrovia. A gente tem que reavaliar, estudar com mais profundidade e verificar a evolução das principais estradas! Passar para iniciativa privada e criar pedágios, quando se faz isso, o custo rodoviário passa a ser maior. De repente a conta passa a fechar".

Questionado se o setor rodoviário seria prejudicado por uma possível hidrovia, concluiu: "Não! O que acontece, principalmente quando se tem navegação, você estimula várias áreas. Então, você vai ter mais fretes curtos do que uma distância maior. Agora, a sociedade tem que fazer escolhas também. Uma navegação efetiva, que busca diminuir custos, vai estimular outras áreas de produção e gerar empregos também".



Declarações quanto ao Diálogos Hidroviáveis - Lago de Furnas



O prefeito de Alfenas, Luiz Antônio da Silva, acredita que foi um crime não preparar o Lago de Furnas para as hidrovias. “Houve um prejuízo, imensurável, para a nossa região, pelo advento das águas do Lago de Furnas, para alimentar com energia o resto do Brasil; nem é Minas Gerais. Então, é preciso que a gente continue nessa luta, nesse debate. Uma das formas, por exemplo, de resolver, de amenizar esse prejuízo que houve para a nossa região, são as hidrovias. Hidrovia é o transporte mais barato que há; é o que menos polui."

Deputado federal, Edinho Bez, diretor executivo da Frenlogi (Frente Parlamentar Mista de Logística e Infraestrutura) do Senado Federal, enfatizou que “nenhum país vai crescer, de acordo com o seu potencial, sem investir na área da infraestrutura. O mesmo ocorre com o município. É claro que não é fácil, precisa de orçamento”.

Para o deputado federal Emidinho Madeira, na ocasião representante da Câmara Federal, por delegação do presidente Arthur Lira, é preciso somar forças quanto à hidrovia, fazer um estudo. Como disse, batalhas só se vencem com a união de todos, sem divisões de direita e esquerda. “Essa discussão das questões das águas é importante para aprofundarmos cada vez mais. Furnas, há mais de 60 anos, fatura, vende energia usando nossas águas. Acho que foi muito pouco o investimento, a contrapartida de Furnas. Na época pagou o produtor como quis.”

Os professores Danniel Ferreira Coelho, pró-reitor acadêmico da UNIFENAS, e Rogério Ramos do Prado, diretor de extensão e assuntos comunitários, destacaram o quanto foi significativo para a Universidade sediar o diálogo pela segunda vez. “Para nós é um evento muito relevante. A região gira em torno do Lago de Furnas. Neste Dia Mundial da Água discutir medidas que fortaleçam a preservação desse recurso, e a melhor utilização dos seus aspectos econômicos, para nós é fundamental”, afirmou o prof. Daniel.

O prof. Rogério Prado lembrou o histórico de compromissos da UNIFENAS com o Lago de Furnas: "Nós tivemos a oportunidade de elaborar diversos planos diretores, de diversos municípios ao redor do Lago; fizemos planos habitacionais de interesse social; trabalhamos no inventário turístico de 52 municípios da região. Então, temos ao longo dos últimos anos participado de diversas ações em favor do Lago de Furnas”.