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9 de maio de 2022

Comunidade acadêmica da UNIFENAS participa de palestra com a autora de #VIVIPRAVER

Em entrevista, a jornalista e radialista Sonia Consiglio Favaretto fala de sua missão


Everton Marques
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"Resgatar a história nos ensina a entender o hoje e ajuda a projetar o amanhã. Eu tenho uma frase: ninguém dorme e acorda sustentável", diz Sonia Favaretto

Em 2016 ela foi reconhecida pelo Pacto Global da ONU como uma das 10 pessoas do mundo que trabalham pelo avanço dos ODS - Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. Jornalista e radialista, Sonia Consiglio Favaretto, autora do livro #VIVIPRAVER - A História e as minhas histórias da sustentabilidade ao ESG, a convite do Núcleo de Acompanhamento e Integração do Egresso da UNIFENAS, proferiu palestra para a comunidade acadêmica da Universidade. Em pauta, suas vivências e contribuição na estruturação da área de sustentabilidade no mercado financeiro.

Com transmissão ao vivo pelo canal "UNIFENAS na Comunidade", no Youtube, a palestra teve por foco os egressos de diversas áreas e contou com a participação de alunos de graduação, de convidados e de docentes interessados na importância de se conciliar o econômico, o ambiental, o social e a governança corporativa. Para Sonia está constatado que o puramente econômico não dá conta da realidade mundial frente às questões climáticas, da desigualdade social, da necessidade de se ter uma boa governança. "Então, a importância de se conciliar todas essas questões é justamente para que a gente continue a operar com um modelo que funcione. Se a gente continuar apenas com o econômico-financeiro esse modelo vai colapsar."

A jornalista exemplifica que empresas que perdem valores na bolsa, que têm sua imagem e reputação destruídas por estarem relacionadas a desastres ambientais e crises sociais são a prova de que o colapso já é uma realidade. Ela acredita que a importância de se conciliar as questões aqui expostas ultrapassam os modelos de operação de negócios e têm haver muito mais com a sobrevivência da própria humanidade. "A gente percebe que não dá mais para separar o mundo em caixinhas. Eu digo que a pandemia, pela dor, nos mostrou que o mundo é interconectado. Uma questão de saúde-social, relacionada ao meio ambiente, colocou a economia em Lockdown."

No contato que teve com a comunidade acadêmica da UNIFENAS, ela abordou parte do conteúdo de sua obra publicada pela Heloisa Belluzzo Editora, em 2021. Fábio Barbosa, ex-presidente do Banco Real/Santander e membro do conselho da United Nations Foundation, resumiu de forma objetiva: "Como jornalista e grande contadora de histórias, ela nos apresenta em #VIVIPRAVER um pouco da sua jornada pessoal, combinando com evolução do conceito de sustentabilidade ao longo da história e com as mudanças da sociedade…". A afirmação do membro do conselho da United Nations Foundation está no prefácio do livro de Sonia Consiglio Favaretto.



Experiências transformadoras



Em entrevista, a jornalista Sonia Consiglio Favaretto nos apresenta nuances de sua forma de pensar e como surgiu a proposta de escrever #VIVIPRAVER. A obra traz 50 histórias que contam a sua jornada de executiva nas organizações em que trabalhou e as correlaciona aos ODS. Como afirmou, todas trazem uma reflexão de políticas e práticas relacionadas à sustentabilidade.



Jornalismo Unifenas - O que leva uma jornalista e radialista a se embrenhar pelo mundo da sustentabilidade?



Sonia Favaretto - Na verdade não foi algo intencional, mas hoje, de fato, eu digo que me tornei profissional de sustentabilidade porque sou uma comunicadora e para mim o entendimento é que essa agenda da sustentabilidade ainda está em construção. Eu comecei a me envolver prestando serviço de comunicação dentro das empresas em que atuava; como por exemplo, quando eu era diretora de comunicação do BankBoston fazia toda comunicação da Fundação BankBoston. Enfim, a comunicação acabou por ser uma porta de entrada e a partir daí comecei a me desenvolver na área.



JU - A sua visão de mundo mudou a partir dessa vivência?





SF - À medida que entrei para a área de sustentabilidade percebi efetivamente os desafios pelos quais nós passamos enquanto mundo, enquanto sociedade. O quanto a gente precisa de fato investir em uma mudança de modelo, entendendo e respeitando as questões sociais e ambientais de governança. Então, eu diria que a minha visão de mundo foi ampliada. Atuar na área de sustentabilidade, falar de transformação, foi um presente que eu recebi ao longo da minha carreira e que é hoje, óbvio meu trabalho, minha atividade, mas também missão.



JU - Acredito que sua essência de jornalista influenciou a escrever #VIVIPRAVER. Como foi essa experiência, que histórias são essas?



SF - Sem dúvida! Acho que o sonho de todo jornalista é escrever um livro. Eu já havia escrito, de publicação própria, um livro de crônicas. Quando encerrei meu ciclo executivo em 2020 e ampliei meu leque de atuação, como conselheira de administração, membro de comitê de sustentabilidade, palestrante, instrutora, painelista, colunista e apoiando empresas, uma variedade muito grande de atividade, comecei a refletir de toda a jornada que eu tinha nessa área, que vem de 20 anos atuando em sustentabilidade. E me pareceu fazer sentido registrar tudo isso em um livro.



JU - Quais as consequências para as instituições que não se alinham com a sustentabilidade?



SF - É o próprio risco de não estarem aqui para contar essa história! Cada vez mais, sustentabilidade é menos um diferencial competitivo e mais uma condição para competir. Então, as instituições que não se alinharem com essa agenda, repetindo, correm sério risco de não mais existirem em um prazo muito curto.



JU - "Eu não tive filhos. Mas trabalho para deixar um mundo melhor para os filhos do mundo." Essa frase do seu livro sintetiza parte da sua jornada como ser humano?



SF - Na verdade ela sintetiza para mim a minha missão nesta vida! Foi o que percebi. Eu conto isso no livro, quanto estava a caminho da COP de Paris, em 2015; uma COP que pretendia e foi muito histórica e muito importante. Eu estava ali, antes de embarcar, na sala de espera e tive esse insight. Então, para mim não é nem parte da jornada como ser humano, é a minha missão. Eu entendo que essa é a minha missão como ser humano.